31 de julho de 2025
ELEIÇÕES 2026

De dentro da prisão, Bolsonaro transforma Papudinha em "QG" da oposição para definir candidaturas

Ex-presidente, preso desde 15 de janeiro, recebe aliados para acertar palanques estaduais e nacionais

Por Redação
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O ex-presidente Jair Bolsonaro - Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Preso no Batalhão da Polícia do Exército (Papudinha) desde 15 de janeiro, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) transformou sua cela em um verdadeiro quartel-general (QG) da oposição para as eleições de 2026. De dentro da prisão, Bolsonaro dá as cartas e articula a definição dos palanques do PL e de seus aliados, buscando manter seu liderança e controle sobre o legado político do bolsonarismo.

A estratégia replica a usada por Lula em 2018, quando o petista, então preso em Curitiba, coordenou a campanha do PT e escolheu Fernando Haddad como candidato à Presidência.

Com autorização do ministro do STF Alexandre de Moraes, Bolsonaro tem recebido aliados de peso. Na semana passada, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) foi ao local e saiu com a confirmação de que será candidato à reeleição em São Paulo.

Para fevereiro, uma agenda movimentada está confirmada com congressistas do PL:

  • 18/02: Senadores Bruno Bonetti (RJ) e Carlos Portinho (RJ), líder do partido no Senado.
  • 21/02: Deputados Nikolas Ferreira (MG) e Ubiratan Sanderson (RS).

Com todos, o debate será sobre a montagem dos palanques estaduais. A articulação na prisão substitui o antigo "QG" que funcionava no Solar de Brasília, quando Bolsonaro estava em prisão domiciliar.

A visita do deputado Nikolas Ferreira será crucial. Incorporado à campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, Nikolas afirmou que a definição das candidaturas do PL em Minas Gerais – o maior colégio eleitoral do país e tradicional "pêndulo" das eleições – passará por sua validação.

O impasse mineiro é complexo: o PL tenta atrair o governador Romeu Zema (Novo) para uma chapa com Flávio, mas Zema nega ser vice e afirma que levará sua candidatura presidencial até o fim. O cenário é complicado pelo fato de o vice de Zema, Mateus Simões, ser do PSD – partido que, sob o comando de Gilberto Kassab, busca uma "terceira via" e rompeu com o bolsonarismo.

A visita de Tarcísio a Bolsonaro na Papudinha aproximou ainda mais o governador do núcleo bolsonarista. Kassab, do PSD, criticou a decisão, afirmando que Tarcísio confundiu "gratidão com submissão" ao não romper com o grupo.

Enquanto o PL se consolida em torno de Flávio Bolsonaro, o PSD busca uma "direita moderada" e trabalha com três possíveis nomes para a Presidência: os governadores Eduardo Leite (RS), Ronaldo Caiado (GO) e Ratinho Junior (PR).

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