31 de julho de 2025
OMISSÃO?

"Só voltou dentro do caixão": Pais de jovem morta após cesárea em Alagoas cobram respostas do hospital

Uedja Santos, 26 anos, faleceu na véspera de Natal. Familiares relatam que pedidos para antecipar o parto foram negados e acusam a unidade de saúde de omissão na explicação sobre a morte.

Por Redação
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Uedja Santos Amorim estava em sua quarta gravidez; áudio encaminhado a família mostra o seu desespero. - Foto: Reprodução/Acervo Pessoal

Um áudio angustiante, supostamente enviado por Uedja Santos Amorim, de 26 anos, minutos antes de uma cirurgia de emergência, tornou-se peça central no caso de sua morte após uma cesárea realizada na véspera de Natal no Hospital Regional Clodolfo Rodrigues de Melo, em Santana do Ipanema, no Sertão de Alagoas. Na gravação, encaminhada à família por aplicativo de mensagens, a gestante de sete meses expressa dores intensas, medo e incerteza sobre seu estado de saúde, dizendo que não sabia o que poderia acontecer.

O áudio reforça o relato dado pelos pais da jovem, dona Roseane e senhor Naldo, em entrevista à Rádio Milênio FM. A mãe afirmou que a filha, que já estava na quarta gravidez e tinha histórico de alertas sobre riscos, procurou o hospital repetidas vezes com queixas de dor. "Ela vinha sendo acompanhada pela Casa da Mulher, mas ia sempre ao hospital, porém eles só aplicavam uma injeção nela e liberavam do mesmo jeito. Na quarta ela foi, ficou quinta e só voltou dentro do caixão, na sexta-feira", declarou Roseane, acrescentando que seus apelos para a antecipação do parto foram negados por uma médica.

O pai, visivelmente abalado, foi enfático ao buscar respostas. "Eu não quero criticar ninguém, eu só quero criticar esse hospital... Eu vou atrás de justiça. Eu vou até o fim", disse Naldo. Apesar das cobranças da família e da imprensa, a direção do hospital, que tem ligação com a Secretaria de Estado de Saúde (Sesau), se recusou a se pronunciar sobre o caso. A médica Gizélia Santos, citada no depoimento da mãe, também se eximiu, alegando que apenas a equipe técnica da unidade poderia falar.

O bebê, um menino chamado Joaquim, nasceu e segue sob cuidados médicos em uma incubadora. Diante da tragédia, o Conselho Tutelar local informou que prestará assistência aos outros filhos de Uedja, que ficaram órfãos de mãe, e comunicará o caso ao Ministério Público para as devidas providências legais e apurações.

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