PF detalha esquema milionário na Saúde de Alagoas: secretário, família e empresários formavam “organização criminosa”
Inquérito da Operação Estágio IV revela funções de cada investigado, de médicos auditores a “laranjas” usados para ocultar patrimônio de luxo
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A Polícia Federal apresentou no inquérito da Operação Estágio IV o detalhado organograma do esquema criminoso que desviou mais de R$ 100 milhões da Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau). Cada um dos 20 investigados tinha uma função específica, desde o secretário Gustavo Pontes de Miranda Oliveira, nomeado pelo governador Paulo Dantas (MDB) e apontado como líder, até motoristas, auditores e familiares usados como “laranjas”.
Liderança e operação central
- Gustavo Pontes de Miranda Oliveira: secretário estadual da Saúde e líder da organização. Beneficiou a NOT – Núcleo de Ortopedia e Traumatologia, empresa da qual manteve controle oculto, e recebeu propina de fornecedores como CHMMED e NG Engenharia.
- Reinaldo Fernandes Júnior: ex-sócio de Gustavo e administrador da NOT. Operacionalizava o faturamento superfaturado e os repasses ilícitos.
- Raul Pereira Lima: motorista e assessor pessoal de Gustavo. Era o operador financeiro principal, fazendo saques em espécie e pagando despesas de luxo da família do secretário.
Ocultação patrimonial e “laranjas”
- Andreia Araújo Cavalcante: apontada como amante de Gustavo, recebeu mais de R$ 1,69 milhão em imóveis com dinheiro desviado.
- Gustavo Pontes Filho: filho do secretário, usado para comprar uma pousada de R$ 5,7 milhões em Porto de Pedras (AL) com valores subdeclarados.
- Luciana de Fátima (esposa de Gustavo): recebeu mais de R$ 1,1 milhão da NOT e figura em documentos da clínica.
Empresários corruptores
- José Adelson Maciel (CHMMED) e Luciano Neves Garcia (NG Engenharia): pagavam propina a Gustavo em troca de contratos emergenciais sem licitação com a Sesau.
- Wendle Ferreira Neves: atuou como “laranja” de José Adelson para esconder a real propriedade da CHMMED.
Servidores e auditores coniventes
- Yuri Amaral Almeida e Lucas Mateus Barros Monteiro: servidores da Sesau que direcionavam editais e contratos para empresas escolhidas.
- Neurivan Calado Barbosa e Franklin Pedrosa de Carvalho: auditores que assinaram relatórios com glosas mínimas, ignorando superfaturamento.
Apoio operacional e familiar
- Luiz Dantas Vale: organizava logística, passagens e intermediava negócios imobiliários.
- Henrique Pereira (irmão de Raul): administrava fazendas de Gustavo com dinheiro ilícito.
- Aline Felix (companheira de Henrique): usada para pagar despesas de cartão de crédito das propriedades rurais.
O esquema funcionava como uma empresa criminosa integrada, combinando fraude em licitações, auditorias coniventes, saques em espécie e uma complexa rede de ocultação de bens de luxo. A investigação continua e pode resultar em novas prisões e na recuperação de valores desviados.