31 de julho de 2025
REDES SOCIAIS

Política perde espaço e gera receio em grupos de WhatsApp, aponta pesquisa

Estudo mostra queda no compartilhamento de notícias políticas em grupos de família, amigos e trabalho

Por Redação
Publicado em
Brasileiro está falando menos de política no WhatsApp, mostra estudo - Foto: Imagem de antonbe por Pixabay

A discussão política está perdendo espaço e gerando crescente cautela nos grupos de WhatsApp. É o que revela o estudo “Os Vetores da Comunicação Política em Aplicativos de Mensagens”, divulgado nesta segunda-feira (15) pelo InternetLab e pela Rede Conhecimento Social. A pesquisa aponta uma redução significativa no compartilhamento de notícias sobre política, políticos e governo nesses ambientes, acompanhada por um medo generalizado de expressar opiniões.

Em 2024, apenas 6% dos usuários estão em grupos dedicados a debates políticos – queda em relação aos 10% registrados em 2020. A presença de conteúdos políticos também diminuiu nos grupos mais comuns:

  • Grupos de família: caíram de 34% (2021) para 27% (2024).
  • Grupos de amigos: redução de 38% para 24%.
  • Grupos de trabalho: queda de 16% para 11%.

Mais da metade dos entrevistados (56%) afirmou sentir medo de emitir opinião política devido ao ambiente considerado agressivo. Esse receio é sentido de forma equilibrada entre pessoas de esquerda (63%), centro (66%) e direita (61%). Como resultado, 52% se policiam mais sobre o que falam, 50% evitam o assunto na família para fugir de brigas e 29% chegaram a sair de grupos por não se sentirem à vontade.

Entre os 44% que se consideram seguros para falar de política no app, surgem táticas para minimizar conflitos:

  • 30% usam mensagens de humor como forma indireta de abordagem.
  • 34% preferem discutir no privado, não em grupos.
  • 29% restringem-se a grupos com pessoas de pensamento similar.

Segundo Heloisa Massaro, diretora do InternetLab e uma das autoras, os dados mostram um “amadurecimento no uso” do aplicativo. “As pessoas foram desenvolvendo normas éticas próprias para lidar com essa comunicação política no aplicativo”, afirma, destacando que o WhatsApp, embora arraigado no cotidiano, vem sendo regido por uma ética de grupos que prioriza a harmonia sobre o debate acalorado.

A pesquisa ouviu 3.113 pessoas de todas as regiões do Brasil entre 20 de novembro e 10 de dezembro de 2024, com apoio financeiro do WhatsApp – que, segundo os realizadores, não interferiu no estudo.

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