31 de julho de 2025
ECONOMIA

Fraudes bancárias: malware cresce 220% e golpes de falsa central dobram em 2025

Relatório internacional revela cenário alarmante no Brasil: facções combinam violência física e ataques digitais sofisticados, enquanto perdas superam R$ 10 bilhões

Por Redação
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Perdas chegaram a R$ 10,1 bilhões em 2024 - Foto: Shutterstock/Ilustração

As fraudes contra o sistema financeiro brasileiro atingiram um patamar de epidemia digital no primeiro semestre de 2025. Dados do relatório Tendências de Fraudes Bancárias Digitais no Brasil, da empresa global de segurança BioCatch, revelam um crescimento exponencial e aterrador de golpes cada vez mais sofisticados, que combinam tecnologia de ponta, persuasão psicológica e, em muitos casos, violência física.

O salto mais vertiginoso foi nos ataques por malware, um software malicioso que invade dispositivos. Esses incidentes cresceram 220% apenas no primeiro semestre de 2025 em relação ao segundo semestre de 2024, ultrapassando o total de todo o ano passado. Esses programas não se limitam a roubar senhas; eles automatizam pagamentos, fazem transferências em massa e imitam o comportamento humano para burlar sistemas de segurança.

Outro ponto crítico é o golpe da “falsa central” (vishing), que dobrou neste ano. Nesta modalidade, criminosos se passam por atendentes de bancos por telefone, usando narrativas convincentes para enganar até usuários experientes e levá-los a realizar transferências, anulando proteções como biometria e confirmações em app. "Ilustra bem o investimento dos grupos organizados em persuasão e psicologia", destaca o relatório.

O estudo aponta uma característica sombria e particular do Brasil: a integração entre o crime físico e o digital. Enquanto em outros países os grupos atuam de forma fragmentada, as facções criminosas brasileiras estão cada vez mais organizadas, unindo roubos de celulares à mão armada a ataques digitais de alta complexidade. Casos de fraude ligados a dispositivos roubados triplicaram em 2025.

Os números da crise:

  • Perdas totais (2024): R$ 10,1 bilhões (alta de 17%).
  • Golpes via PIX: Aumento de 43% em dois anos, somando R$ 2,7 bilhões.
  • Tentativas de fraude digital (2024): Cerca de R$ 3 bilhões, sendo metade por falsa central.
  • Crescimento no 1º semestre de 2025: Volume geral de tentativas subiu 56%.

A pesquisa ouviu executivos do setor financeiro, que projetam um futuro desafiador: 80% acreditam que a colaboração entre bancos deve se intensificar, com compartilhamento de dados em tempo real e 86% preveem crescimento acelerado de golpes direcionados a consumidores, especialmente via PIX.

Para Cassiano Cavalcanti, especialista da BioCatch, a velocidade dos golpes é o maior alerta. “Isso exige das instituições financeiras uma postura colaborativa e tecnológica muito mais ousada. Não basta reagir, é preciso antecipar ataques e proteger as pessoas delas mesmas”, afirmou.

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