31 de julho de 2025
Pressão Federal Máxima

Ministério ameaça Enel com perda da concessão em SP e cobra ação da Aneel

Após 5 dias de caos, com 417 mil ainda no escuro, governo Lula declara "rigor absoluto" e não tolerará mais falhas

Por Redação
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Ministério diz que Enel pode perder concessão se não cumprir metas - Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

A crise da Enel em São Paulo atingiu um novo patamar de gravidade política e regulatória. Neste domingo (14), o Ministério de Minas e Energia emitiu uma nota oficial com uma ameaça sem precedentes: a Enel poderá perder a concessão para operar no estado caso não cumpra seus índices de qualidade e obrigações contratuais. O anúncio é a reação federal definitiva à demora de cinco dias no restabelecimento da energia após o ciclone extratropical.

A posição é a mais dura já adotada pelo governo Lula contra a concessionária. A nota afirma que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou "rigor absoluto" na fiscalização. “O governo do Brasil não tolerará falhas reiteradas, interrupções prolongadas ou qualquer desrespeito à população”, declarou a pasta.

O ministro Alexandre Silveira está no centro da ofensiva. Segundo a nota, ele atua desde 2023 para alertar a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) sobre os problemas crônicos da Enel. Agora, Silveira propôs uma reunião de alto escalão com o governador Tarcísio de Freitas e o prefeito Ricardo Nunes para um "alinhamento de responsabilidades". O movimento sinaliza que o governo federal não quer arcar sozinho com o desgaste político da crise e cobra uma ação conjunta.

O tamanho do colapso justifica a reação extrema:

  • Pico do Apagão (10/12): 2,2 milhões de clientes sem energia.
  • Situação no Sábado (13/12): Ainda mais de 417 mil consumidores no escuro.
  • Causa: Ventos de até 98 km/h que derrubaram mais de 300 árvores sobre a rede.
  • Resposta da Enel: A empresa afirma que mobilizou um número recorde de 1.800 equipes em campo e que, neste domingo, restabeleceu a energia para 99% dos clientes.

A menção à perda da concessão não é meramente retórica. É um instrumento legal previsto para quando uma concessionária descumpre reiteradamente as condições do contrato de prestação de serviço. O processo, no entanto, é complexo, demorado e envolve múltiplas instâncias, incluindo a Aneel e a Justiça. A declaração do Ministério é, antes de tudo, um forte sinal político e de mercado de que a paciência se esgotou.

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