Ceia mais farta e sofisticada chega às mesas com dólar em queda e pleno emprego
Com inflação controlada nos itens tradicionais e renda em alta, supermercados e indústria apostam em novidades e linhas premium
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O cenário econômico favorável está transformando a ceia de Natal deste ano em um evento mais farto e sofisticado para as famílias de todo o Brasil. Em contraste com o ano passado, quando o dólar alto e problemas climáticos pesaram no bolso do consumidor, a combinação de moeda americana mais barata (queda de 14% no ano) e emprego formal em nível recorde está aquecendo o comércio e estimulando a indústria a inovar. Varejistas da região anteciparam importações, aumentaram os estoques e conseguiram, em muitos casos, segurar os preços, graças à menor pressão cambial, segundo informações do jornal O Globo.
A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) projeta um crescimento de 15% no consumo das famílias no período das festas. “Se confirmado, será o maior avanço em toda a nossa série histórica, iniciada em 2015”, afirma Márcio Milan, vice-presidente da entidade. O bom momento é sustentado não apenas pelo décimo terceiro salário, mas também pela inflação contida nos produtos típicos da ceia, que subiram apenas 3,5% – o menor percentual desde 2017.
“A queda do dólar ao longo do semestre trouxe previsibilidade. Os supermercados anteciparam a compra de itens como vinho e azeite. A retirada da taxa de importação pelo governo fez o preço do azeite cair em média 18%”, explica Milan. Essa estabilidade permitiu que a indústria lançasse novidades, focando tanto em produtos premium quanto em opções práticas e acessíveis, acompanhando a diversidade de tamanhos e orçamentos das famílias nordestinas.
Inovação na indústria: do Chester recheado ao panetone em miniatura
A BRF, das marcas Sadia e Perdigão, renovou de 10% a 15% seu portfólio natalino. A aposta vai do chester semidesossado recheado com farofa (em comemoração aos 45 anos do produto) até opções práticas como o empanado de chester para air fryer, ideal para um petisco antes da ceia. A linha de churrasco ‘Na Brasa’ também foi ampliada. “Estamos otimistas com o Natal”, diz Luiz Franco, diretor de Marketing e Inovação da empresa.
Na confeitaria, a Bauducco seguiu a tendência das “indulgências acessíveis” e lançou o Chocottone de pistache e uma edição especial em colaboração com a Fini, com sabores como Dentadura e Beijos. A linha premium de panetones de chocolate ganhou versões caramel macchiato e cereja. “Vimos um movimento antecipado de pedidos dos varejistas. Acreditamos em um portfólio democrático”, comenta André Britto, diretor de Marketing da Bauducco.
Os números:
- 3,5%: Aumento médio dos preços dos itens da ceia, a menor alta da série histórica da Abras.
- 15%: Crescimento projetado para o consumo natalino, potencialmente o maior desde 2015.
- 10% a 15%: Renovação no portfólio da BRF (Sadia/Perdigão) para a temporada.
- 7% a 10%: Aumento médio no quilo do bacalhau. A queda do dólar limitou a alta do produto importado.
Com preços mais estáveis, renda em alta e uma onda de inovações nas gôndolas, os nordestinos podem planejar uma celebração de fim de ano mais abundante e com sabores especiais, marcando a recuperação do poder de compra e o otimismo para a entrada em 2025.