Lobista investigado pela CPMI do INSS gastou R$ 1 milhão em joias de luxo
Danilo Trento, investigado na CPMI, adquiriu peças de alta joalheria após operação da PF
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Em um período de apenas seis meses, o lobista Danilo Berndt Trento, um dos investigados pela CPMI do INSS, gastou quase R$ 1 milhão em peças de alta joalheria, revelam dados sigilosos da Receita Federal obtidos pela comissão. As aquisições de luxo ocorreram entre dezembro do ano passado e junho deste ano, incluindo a compra de um anel de ouro com turmalina no valor de R$ 380 mil, já após o início da Operação Sem Desconto da Polícia Federal.
Os gastos milionários não pararam no anel. Em dezembro do ano passado, Trento adquiriu um par de brincos por R$ 361 mil e uma pulseira por R$ 215 mil. A turmalina que compõe o anel de R$ 380 mil é uma das pedras mais caras do mundo, com valor que pode chegar a US$ 100 mil por quilate, conhecida por sua rara coloração verde-azulada.
O elevado padrão de consumo do lobista vai além das joias. Ele comprou uma aliança da Cartier por R$ 79,5 mil, um conjunto de cinco blusas da Hugo Boss por R$ 9,5 mil e teve um jantar que custou R$ 1,1 mil. A Receita Federal rastreou a origem desses recursos e identificou que Trento recebeu R$ 1,095 milhão de Maurício Camisotti, apontado como o operador central do esquema de descontos irregulares na Previdência.
As movimentações financeiras de Trento são vultuosas. Em uma de suas contas, ele já movimentou R$ 12,6 milhões apenas em 2025, com entradas e saídas de valores equivalentes – um indício clássico de possível lavagem de dinheiro. Outra conta movimentou R$ 1,7 milhão. A principal fonte de recursos foi a T5 Participações LTDA, que lhe pagou R$ 11,6 milhões. Curiosamente, essa empresa foi originalmente uma hamburgueria de bairro com capital social de R$ 20 mil, reformulada por Trento e hoje registrada em nome de uma ex-beneficiária do Bolsa Família.
Esta não é a primeira vez que Trento é alvo de investigação parlamentar. Em 2021, a CPI da Covid recomendou seu indiciamento por fraude em contrato, improbidade administrativa e formação de quadrilha devido ao seu envolvimento na negociação superfaturada da vacina Covaxin, quando era diretor da Precisa Medicamentos.