31 de julho de 2025
Discussões acaloradas

Bate-bocas fazem CPMI do INSS ser suspensa duas vezes em uma hora

Parlamentares e ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, se envolveram em trocas de acusações que levaram o presidente da comissão a interromper os trabalhos

Por Redação
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Bate-bocas durante sessão na CPMI do INSS - Foto: Lula Marques - Agência Brasil

Em apenas uma hora de sessão, discussões entre parlamentares e o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, levaram à suspensão da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) por duas vezes, nesta segunda-feira (13).

O primeiro impasse ocorreu quando o relator da investigação, Alfredo Gaspar (União-AL), perguntou a Stefanutto sobre outras pessoas afastadas do INSS após as primeiras denúncias de fraude. O ex-presidente se negou a responder, alegando que se tratava de uma pergunta retórica, e a sessão precisou ser paralisada.

Mais tarde, Gaspar questionou Stefanutto sobre sua relação com Gilmar Stelo, advogado que teria assessorado diversas entidades sindicais envolvidas nos golpes. O ex-presidente negou relação pessoal e rebateu: “No outro dia eu vi o senhor bastante aborrecido porque o nome do senhor estava no site de determinada entidade”.

O relator respondeu: “Me respeite, rapaz, você sendo cabeça do maior roubo de aposentados e pensionistas”, e novamente iniciou-se um bate-boca. Gaspar chegou a ficar em pé e com o dedo em riste, e o presidente da CPMI, Carlos Viana, interrompeu a sessão por cinco minutos para acalmar os ânimos.

Após o intervalo, Stefanutto se desculpou: “Preliminarmente, senhor relator, eu queria me desculpar pela troca de ofensas aqui. Acho que não é adequado, mas de onde eu vim, sempre que você é ofendido na sua honra, você responde. Mas acho que me excedi, então da minha parte fica o meu pedido de desculpas”.

Stefanutto foi afastado da presidência do INSS por decisão da Justiça após operação da CGU (Controladoria-Geral da União) e da Polícia Federal, que investigou um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões. Em abril, agentes cumpriram busca e apreensão em seu apartamento, em Brasília, e na sede do INSS.

A investigação aponta que ele foi omisso ao permitir descontos ilegais durante sua gestão por meio de associações, embora Stefanutto negue ter adotado qualquer conduta que colocasse em risco os segurados do INSS.