Silêncio do presidente do Sindnapi irrita parlamentares em depoimento à CPMI do INSS
Milton Baptista se recusou a responder a maior parte das perguntas durante sessão desta quinta-feira (9), apesar de habeas corpus do STF; comissão apura repasses de mais de R$ 600 milhões à entidade
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O presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), Milton Baptista de Souza Filho, manteve-se em silêncio durante grande parte do depoimento à CPMI do INSS nesta quinta-feira (9), frustrando parlamentares que investigam repasses milionários à entidade. Entre 2008 e 2025, o Sindnapi teria recebido mais de R$ 600 milhões via descontos associativos operados pelo INSS.
O silêncio de Baptista se apoiou em habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que o protege contra eventual prisão e dispensa de obrigações de convocados. A decisão gerou críticas de senadores e deputados.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) lamentou a postura do depoente.“É dever deste Parlamento investigar até o fim, identificar os responsáveis e exigir punição exemplar.”
Para Damares Alves (Republicanos-DF), a investigação da CPMI não se limita aos depoimentos presenciais. “A quebra de sigilo já chegou; a sua está incompleta, mas a do sindicato já chegou — milhares de páginas. Nós vamos ajudar muito a Polícia Federal nessa investigação.”
O senador Eduardo Girão (Novo-CE) também criticou a decisão do STF. “Estou frustrado. Onde vamos parar?”
Em um dos poucos momentos em que quebrou o silêncio, Baptista respondeu ao deputado Paulo Pimenta (PT-RS) sobre a atuação de Frei Chico, irmão do presidente Lula, no sindicato. “Contrariando o meu advogado, quero dizer que ele nunca teve papel administrativo no sindicato, só político, de representação sindical. Nada mais do que isso.”
Ao final da sessão, o deputado Alfredo Gaspar (União-AL) anunciou que pedirá prisão preventiva de Milton Baptista e de outros dirigentes do Sindnapi. “Chega de proteção e impunidade.”
O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), criticou o silêncio durante toda a reunião. “Estamos aqui há mais de 10 horas. Dez horas de silêncio. Dez horas de impunidade. Dez horas que gritam mais do que qualquer palavra dita nesta sala.”
A CPMI segue investigando os descontos associativos e repasses milionários operados pelo Sindnapi, além de eventuais ligações políticas da diretoria com órgãos do governo federal.
*Com Agência Senado