31 de julho de 2025
R$ 20 MILHÕES SÓ EM CARROS

Presidente da CPMI do INSS acusa depoente de ser "parte de um esquema" bilionário após ver patrimônio multiplicar

Senador Carlos Viana afirma que Fernando Cavalcanti, investigado como "laranja", não explicou origem de patrimônio com Ferrari, adega de vinhos e relógio de R$ 1,3 milhão

Por Redação
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O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana - Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

Em uma declaração contundente durante os intervalos da reunião desta segunda-feira (6), o presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que o depoente Fernando Cavalcanti não conseguiu explicar como multiplicou seu patrimônio em dezenas de vezes em um curto período. Para Viana, as evidências apontam para a atuação de “um grupo muito bem organizado” que está sendo desvendado pela comissão.

O senador foi enfático ao detalhar a incongruência financeira: “É impossível que uma pessoa, que sai de São Paulo ganhando R$ 5 mil, venha para Brasília e amealhe um patrimônio só em carros superior a R$ 20 milhões, uma adega de R$ 7 milhões, imóveis e uma vida de luxos”. Viana destacou que a quebra de sigilos bancários demonstra que Cavalcanti seria "apenas uma parte de todo esse esquema", sendo investigado pela Polícia Federal como um suposto "laranja" por não apresentar lastro econômico para justificar tantos bens.

Fernando Cavalcanti foi convocado pela CPMI por manter sociedades com o advogado Nelson Wilians e proximidade com Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS". A comissão constatou que seu padrão de vida é incompatível com sua renda declarada, com a PF tendo apreendido dezenas de carros, motos, relógios e vinhos de sua propriedade, incluindo uma Ferrari avaliada em R$ 4 milhões e um relógio de R$ 1,3 milhão. A CPMI investiga se ele atuava como um "laranja" para lavar recursos do esquema de fraudes.

“Mesmo que esteja declarado no Imposto de Renda, dificilmente ele consegue explicar a origem de tanto dinheiro”, reforçou Viana, classificando o caso como parte de uma "máfia bilionária que sabe muito bem os meandros do poder". O presidente da CPMI também revelou que o depoente movimentou vultosas somas em dinheiro e confirmou ter feito doações a campanhas eleitorais.

Por fim, Viana ressaltou que a CPMI está prestando contas à sociedade sobre as influências políticas e responsabilidades envolvidas nas fraudes. “É uma quadrilha que tomou de assalto a Previdência, corrompeu servidores, perpassou governos e tinha liberdade de acesso ao Congresso, fazendo doações políticas. É um modus operandi que demonstra que eles não esperavam serem apanhados”, concluiu, sinalizando que as investigações devem se aprofundar.

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