31 de julho de 2025
CPMI do INSS

Empresário se cala para comissão e levanta suspeitas sobre fortuna bilionária

ernando Cavalcanti responde a perguntas iniciais, mas decide permanecer em silêncio no restante do depoimento à comissão que investiga fraude em aposentadorias

Por Redação
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Empresário Fernando dos Santos Andrade Cavalcanti é ouvido pela CPMI - Foto: Lula Marques - Agência Brasil

O empresário Fernando dos Santos Andrade Cavalcanti, alvo da Operação Sem Desconto, decidiu permanecer em silêncio durante o restante do depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, nesta segunda-feira (6). A decisão foi comunicada pelo advogado de defesa, Thiago Machado, após responder apenas às perguntas iniciais do relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL).

Cavalcanti é ex-sócio do advogado Nelson Willians, apontado como um dos principais operadores do esquema de descontos irregulares em aposentadorias e pensões do INSS, junto com Maurício Camisotti e Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. O empresário foi beneficiado por habeas corpus concedido pelo ministro Luiz Fux, do STF, que garante o direito de não se autoincriminar.

No início do depoimento, por volta das 16h30, Cavalcanti negou participação no esquema e afirmou que desconhecia qualquer atividade ilícita de seus antigos sócios. “Nunca fui laranja, atuador ou beneficiário de qualquer esquema. Minha atuação sempre foi de gestor, e os pagamentos recebidos foram compatíveis com minhas funções”, declarou.

Durante a Operação Sem Desconto, a Polícia Federal apreendeu mais de 20 veículos de luxo do empresário, incluindo uma Ferrari avaliada em cerca de R$ 4,5 milhões, uma réplica de carro de Fórmula 1 e diversas motos, além de relógios e vinhos avaliados em mais de R$ 7 milhões. Cavalcanti afirmou que todos os bens são de propriedade de sua empresa e adquiridos de forma legal, com alguns ainda em financiamento.

O relator questionou a evolução patrimonial de Cavalcanti, que em 2017 ganhava cerca de R$ 5 mil como assessor na Assembleia Legislativa de São Paulo. O empresário disse não querer detalhar seu patrimônio atual, embora conste em declarações ao Imposto de Renda. “Em 2017 meu patrimônio não chegava a R$ 100 mil”, afirmou.

O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), classificou o depoimento como uma tentativa de defesa estratégica. Para ele, Cavalcanti faz parte de uma “máfia” que operava com políticos, servidores públicos e outros envolvidos, acumulando riqueza de forma suspeita e mantendo acesso privilegiado a órgãos do governo.

Viana ainda destacou que a investigação busca compreender o papel de Maurício Camisotti no esquema, cujo depoimento no STF está protegido por habeas corpus. Segundo a CPMI, associações investigadas, como a Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (AMBEC), tiveram contribuições de associados que saltaram de R$ 135 em 2021 para R$ 91 milhões em 2023, indicando indícios de operação fraudulenta.

“É impossível explicar a origem de um patrimônio bilionário apenas com salários ou contratos lícitos”, afirmou Viana, ressaltando que os dados financeiros reforçam a suspeita de que Cavalcanti teria atuado como laranja no esquema que desviou recursos da Previdência.

*Com informações da Agência Brasil