CPMI do INSS Convoca ex-procurador e familiares para depor sobre esquema de descontos ilegais
Comissão aprovou 88 requerimentos, incluindo investigação sobre R$ 7 milhões recebidos por empresas da esposa do ex-procurador; votação expôs divisão entre parlamentares.
Publicado em
A CPMI do INSS aprovou nesta quinta-feira (2) a convocação do ex-procurador-geral da Procuradoria Federal Especializada junto ao INSS, Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, e familiares para depor sobre o esquema de descontos associativos não autorizados de aposentados e pensionistas. A esposa e a irmã do ex-procurador também foram convocadas após revelações de que empresas ligadas a elas teriam recebido mais de R$ 7 milhões de organizações envolvidas nas fraudes.
O senador Sergio Moro (União-PR) destacou a importância das convocações: "A esposa dele, empresas da esposa dele, receberam R$ 7 milhões, mais de R$ 7 milhões só das empresas do 'Careca do INSS'. E nós vimos aqui no depoimento do Careca que não tem causa lícita para esses pagamentos". Já o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) defendeu a medida para rastrear o destino dos recursos desviados: "Onde é que foi parar o dinheiro roubado da Previdência? Será que ele ficou com esses servidores, ficou com seus parentes?".
Divisão e polêmicas
A reunião foi marcada por tensão durante a votação de requerimentos para convocar Edson Claro Medeiros Júnior, ex-funcionário do "Careca do INSS". Dois pedidos foram rejeitados por 16 votos a 14, revelando a divisão entre os parlamentares. O relator Alfredo Gaspar (União-AL) defendeu a convocação argumentando que a testemunha "está ligada umbilicalmente ao esquema" e sofreu ameaças de morte. Por outro lado, o deputado Rogério Correia (PT-MG) considerou o caso uma "briga pessoal" sem pertinência para a comissão.
Decisões aprovadas
Além das convocações familiares, a CPMI aprovou:
- Convocação do ex-coordenador-geral de Pagamentos de Benefícios do INSS, Jucimar Fonseca da Silva
- Pedido de autorização para o depoimento do empresário Maurício Camisotti, preso por ordem do STF
- 88 requerimentos de um total de 97, incluindo quebras de sigilos e pedidos de informações