Novos vídeos mostram paciente com curativos encharcados e reforçam denúncias sobre estrutura do HGE
Imagens obtidas pelo Francês News mostram supostas falhas na assistência a pacientes e problemas estruturais no Hospital Geral do Estado dias após fiscalização da Vigilância Sanitária e apagão na unidade.
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Dias após a Vigilância Sanitária de Maceió apontar uma série de irregularidades estruturais e sanitárias no Hospital Geral do Estado Professor Osvaldo Brandão Vilela (HGE), novos vídeos e fotografias obtidos pelo Francês News reforçam as denúncias envolvendo a maior unidade hospitalar de Alagoas.
O material mostra um paciente reclamando da demora na troca de curativos completamente encharcados por secreção, além de imagens que indicam supostos problemas estruturais e equipamentos que, segundo os denunciantes, estariam danificados ou sem funcionamento.
Em um dos vídeos, gravado dentro de uma enfermaria, o paciente aparece com os curativos visivelmente úmidos enquanto a pessoa responsável pela gravação cobra atendimento imediato.
"Está tudo molhado aqui. Isso coça, queima e não fizeram o curativo. Não vai deixar para amanhã. Tem que fazer hoje", afirma a pessoa que registra as imagens.
Fotografias mostram estrutura deteriorada
Além do vídeo, a reportagem recebeu fotografias enviadas por pessoas que afirmam trabalhar no hospital. Os registros mostram um banheiro destinado aos funcionários com porta deteriorada, tampa de vaso sanitário quebrada, um equipamento hospitalar aparentemente desmontado, um cabo de alimentação elétrica desconectado próximo a um leito e um elevador que, segundo os denunciantes, estaria sem funcionar.
O Francês News não conseguiu confirmar de forma independente a data em que todas as imagens foram produzidas nem verificar se todos os equipamentos permaneciam fora de operação no momento dos registros. As informações apresentadas refletem o conteúdo encaminhado pelos denunciantes.
Fiscalização da Vigilância Sanitária encontrou cenário semelhante
As novas denúncias surgem poucos dias após a fiscalização realizada pela Vigilância Sanitária de Maceió, que notificou oficialmente o HGE para corrigir dezenas de irregularidades no prazo de 30 dias.
Durante a inspeção, a Visa encontrou camas hospitalares enferrujadas, infiltrações, mofo, fiação elétrica exposta, elevadores com problemas, medicamentos sem identificação adequada, ausência de equipamentos obrigatórios e falhas na estrutura física da unidade, inclusive no Centro de Tratamento de Queimados (CTQ).
Caso as irregularidades não sejam corrigidas dentro do prazo, o hospital poderá ser autuado pelo órgão sanitário.
Evento político envolvendo diretor ampliou repercussão
As novas imagens também surgem dias após a repercussão de um evento promovido pelo diretor do HGE, Fernando Fortes Melro, que reuniu servidores da unidade e lideranças políticas em uma casa de eventos próxima ao hospital.
Participaram do encontro o senador Renan Calheiros (MDB), o secretário estadual Paulinho Mendonça (MDB), o médico José Wanderley Neto (MDB) e o deputado estadual Luciano Amaral (PSD).
Durante o evento, o diretor afirmou que os convidados haviam sido escolhidos para participar da confraternização.
"E vocês que estão aqui hoje foram escolhidos a dedo."
Em outro trecho do discurso, Fernando Fortes Melro declarou recorrer ao apoio de lideranças políticas diante de dificuldades na administração da unidade.
"Na hora que eu tenho dificuldade, que eu sozinho não aguento, eu vou bater na porta do Paulinho, vou bater na porta do senador Renan, vou bater na porta do deputado Luciano, do Dr. Wanderley. São essas pessoas que por trás disso tudo me dão sustentação."
Após o encontro, o Francês News recebeu relatos de servidores que afirmam ter sido remanejados de setores da unidade depois de acompanharem visitas de agentes políticos e mostrarem as condições enfrentadas no hospital. As alegações também não foram comentadas oficialmente pela direção do HGE.
Apagão e contratos milionários seguem sob questionamento
As novas denúncias ocorrem menos de três semanas após o apagão registrado no HGE, em 27 de junho, quando pacientes relataram interrupção de exames, calor intenso e dificuldades durante a falta de energia elétrica.
Na ocasião, a direção do hospital informou que a falha ocorreu na subestação elétrica da unidade e que os geradores mantiveram o funcionamento das áreas críticas. Posteriormente, a Equatorial Alagoas esclareceu que o problema teve origem na subestação particular do hospital, cuja manutenção é de responsabilidade da própria unidade.
O episódio reacendeu o debate sobre os contratos firmados pelo Governo de Alagoas para locação de geradores. Levantamento realizado pelo Francês News no Portal da Transparência aponta que o Estado desembolsou R$ 9.240.737,93 para empresas do grupo GERAMAK entre janeiro de 2022 e junho de 2026.
Desse total, R$ 9.077.157,73 foram pagos à GERAMAK Comércio e Serviços de Máquinas Ltda., enquanto R$ 163.580,20 tiveram como destino a GERAMAK Comércio e Manutenção Ltda.. Apenas por meio do Fundo Estadual de Saúde (FES), os pagamentos somam R$ 3.061.541,92.
Os contratos contemplam a locação de nove geradores de 500 KVA destinados ao HGE, Hospital da Mulher e Hospital Metropolitano.