"Se não for para a festa declarar apoio, é rua", diz áudio sobre evento do diretor do HGE com Renan Calheiros
Evento reuniu lideranças do MDB e do PSD com servidores do Hospital Geral do Estado; denúncia aponta suposta pressão sobre terceirizados e contratados para participação na confraternização
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Um áudio atribuído a uma servidora do Hospital Geral do Estado (HGE) afirma que trabalhadores terceirizados e contratados teriam sido pressionados a comparecer a uma confraternização promovida pelo diretor da unidade, Fernando Melro, sob a ameaça de perderem seus cargos. A denúncia surgiu após o evento político realizado em uma casa de festas no bairro do Trapiche, em Maceió (AL), que reuniu servidores e lideranças do MDB e do PSD.
"Estão obrigando até os terceirizados aí, precarizado, contratado. Se não for para a festa declarar apoio, é rua, " afirma uma servidora em áudio enviado para o portal Francês News.
As alegações passaram a repercutir nas redes sociais. Até o momento, não há decisão administrativa ou judicial que comprove os fatos narrados, e as denúncias ainda deverão ser apuradas pelos órgãos competentes.
Durante a confraternização, Fernando Melro discursou aos convidados e afirmou que pretendia reunir os cerca de três mil servidores do hospital, mas disse que isso não foi possível devido às escalas de trabalho. Em seguida, declarou que os participantes presentes haviam sido previamente selecionados.
"E vocês que estão aqui hoje foram escolhidos a dedo. Eu queria fazer uma festa com 3 mil funcionários do HGE, mas não foi possível porque tem gente de plantão, enfim, é muita gente."
Participaram do encontro o senador Renan Calheiros (MDB), o pré-candidato a deputado Paulinho Mendonça (MDB), o deputado estadual José Wanderley Neto (MDB) e o deputado federal Luciano Amaral (PSD), além do defensor público Ricardo Melro, irmão do diretor do HGE.
Ao agradecer a presença das lideranças políticas, Fernando Fortes afirmou que elas dão sustentação à sua gestão na maior unidade de urgência e emergência de Alagoas.
"Na hora que eu tenho dificuldade, que eu sozinho não aguento, eu vou bater na porta do Paulinho, eu vou bater na porta do senador Renan, vou bater na porta do deputado Luciano, do Dr. Wanderley. São essas pessoas que por trás disso tudo me dão sustentação."
Denúncias de supostas retaliações
Além do áudio que relata suposta pressão para participação na confraternização, o vereador David do Emprego (União Brasil) divulgou outra denúncia envolvendo possíveis retaliações contra servidores.
Segundo relatos encaminhados ao parlamentar, profissionais teriam sido remanejados de setor e outros desligados após acompanharem a visita de um agente político ao hospital, ocasião em que teriam mostrado problemas enfrentados por pacientes e funcionários.
Em um dos áudios divulgados, uma servidora afirma:
"O diretor do HGE colocou um monte de pessoas demitidas porque teve uma pessoa lá, político, e os funcionários estavam mostrando tudo. Depois que a pessoa saiu, ele remanejou dois ou três funcionários de um setor para outro e outros acabaram sendo demitidos."