Filiado ao MDB, defensor público Ricardo Melro desiste de candidatura e passa a atuar como cabo eleitoral de caciques
Nome cotado para disputar vaga na Câmara Federal preferiu manter cargo na Defensoria e marcou presença em evento do MDB sob suspeita de assédio a servidores do HGE
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O defensor público Ricardo Antunes Melro consolidou sua mudança de papel nas eleições deste ano. Inicialmente cotado pelo MDB para disputar uma cadeira de deputado federal, Melro optou por não registrar candidatura, mantendo-se no exercício do cargo de defensor público do Estado, e passou a atuar abertamente como cabo eleitoral das principais lideranças do partido.
A filiação de Melro ao MDB havia sido apresentada pela cúpula governista como um reforço técnico à chapa proporcional. O defensor ganhou projeção pública nos últimos anos por sua atuação em órgãos de defesa de direitos coletivos, com destaque para a mediação do impasse com as vítimas do afundamento do solo provocado pela mineradora Braskem, em Maceió.
Apesar das articulações para sua entrada na disputa por Brasília, Melro não se desincompatibilizou do cargo e recuou da pré-candidatura. Com a saída do defensor do pálio proporcional, a chapa de deputados federais do MDB perdeu um de seus nomes de projeção no meio jurídico.
Mesmo fora da lista de candidatos, Melro passou a participar ativamente de agendas políticas e atos de pré-campanha. Em registros publicados em redes sociais, o defensor aparece declarando apoio direto às pré-candidaturas ao Senado do senador Renan Calheiros e do deputado estadual Dr. Wanderley.
A atuação militante do integrante da Defensoria Pública também alcançou eventos controversos do grupo político. Melro esteve presente no encontro político promovido pela direção do Hospital Geral do Estado (HGE) que reuniu lideranças do MDB e do PSD. O evento tornou-se objeto de denúncias após a divulgação de áudios que indicam suposta pressão sobre servidorese terceirizados para participarem do ato sob ameaça de exoneração.
A presença de um membro ativo da Defensoria Pública, instituição cuja prerrogativa constitucional é a independência e a defesa dos direitos dos cidadãos, em agendas partidárias e reuniões sob suspeita de assédio moral contra servidores públicos tem gerado questionamentos nos bastidores do meio jurídico e político alagoano.