Delegado e dois policiais civis são presos em operação contra tráfico e corrupção na Paraíba
Investigação aponta que agentes públicos repassavam informações sigilosas para organização criminosa; Justiça determinou bloqueio de R$ 10 milhões
Publicado em
Uma operação de grande porte deflagrada na manhã desta terça-feira (2) abalou os bastidores da segurança pública na Paraíba. O delegado da Polícia Civil Braz Morrone e outros dois agentes foram presos durante a Operação Perfídia, que investiga uma suposta rede de corrupção, tráfico de drogas e vazamento de informações sigilosas em benefício de uma organização criminosa com atuação no estado.
A ação é coordenada pelas forças de investigação da Paraíba e busca desarticular um esquema que, segundo as autoridades, contava com a participação de servidores públicos que utilizavam suas funções para favorecer atividades criminosas.
Além das prisões, estão sendo cumpridos nove mandados de prisão preventiva e 24 mandados de busca e apreensão em diferentes endereços ligados aos investigados. A Justiça também autorizou o bloqueio de aproximadamente R$ 10 milhões em bens e valores vinculados ao grupo alvo da operação.
Entre os presos está o delegado Braz Morrone, atualmente lotado na Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (DCCPAT), em João Pessoa.
Com mais de duas décadas de atuação na Polícia Civil da Paraíba, Morrone já ocupou funções em diversas unidades especializadas, incluindo a Delegacia de Repressão a Entorpecentes, setor responsável por investigações relacionadas ao tráfico de drogas.
A prisão de um delegado em atividade chama atenção pela gravidade das acusações e pelo impacto institucional gerado dentro da própria corporação.
Até a publicação desta matéria, a defesa do delegado não havia sido localizada para comentar as acusações.
De acordo com as investigações, integrantes da organização criminosa teriam recebido informações privilegiadas fornecidas por agentes públicos.
Os dados vazados incluiriam informações sobre imóveis, veículos e movimentações de interesse das autoridades, permitindo que traficantes e outros investigados antecipassem ações policiais e dificultassem o trabalho de combate ao crime organizado.
Segundo os investigadores, a suposta atuação dos servidores públicos teria contribuído diretamente para o fortalecimento das atividades criminosas desenvolvidas pelo grupo.
As autoridades ainda apuram há quanto tempo o esquema estaria em funcionamento e quantos agentes públicos podem ter participado das irregularidades.
A operação recebeu o nome de "Perfídia", termo utilizado para descrever atos de traição, deslealdade ou quebra de confiança.
Segundo os responsáveis pela investigação, a escolha faz referência às condutas atribuídas aos investigados, que teriam utilizado a estrutura do Estado e informações obtidas em razão dos cargos públicos para beneficiar uma organização criminosa.
A suspeita é de que o grupo operasse uma rede de proteção voltada ao tráfico de drogas e outros crimes, utilizando informações estratégicas para evitar apreensões e ações policiais.
Como parte das medidas cautelares autorizadas pelo Poder Judiciário, foi determinado o bloqueio de aproximadamente R$ 10 milhões pertencentes aos investigados.
A decisão tem como objetivo impedir movimentações financeiras que possam comprometer a recuperação de ativos eventualmente ligados às atividades ilícitas apuradas.
As investigações também buscam identificar a origem dos recursos e verificar a existência de patrimônio incompatível com a renda declarada pelos suspeitos.