Policial preso por matar colegas no sertão de Alagoas já respondeu por homicídio, tentativa de assassinato e abuso de autoridade
Gildate Góes Moraes Sobrinho, suspeito de matar dois agentes da Polícia Civil, teve nome ligado a processos criminais nos anos 1990, incluindo morte de criança e denúncia de “roleta russa”
Publicado em
O policial civil Gildate Góes Moraes Sobrinho, de 61 anos, preso suspeito de assassinar dois colegas de farda dentro de uma viatura oficial em Delmiro Gouveia, no Sertão de Alagoas, já havia respondido anteriormente a processos criminais na Justiça alagoana. O histórico judicial do agente inclui denúncias por homicídio, tentativa de homicídio, agressões físicas e abuso de autoridade, segundo documentos obtidos e divulgados com exclusividade pelo programa Fique Alerta, da TV Pajuçara, nesta quinta-feira (21).
Atualmente, Gildate é investigado pela morte dos policiais civis Yago Gomes Pereira, de 33 anos, e Denivaldo Jardel Lira Moraes, de 47 anos, crime ocorrido na madrugada de quarta-feira (20). A Polícia Civil trata o caso como duplo homicídio qualificado, diante da impossibilidade de defesa das vítimas.
Policial foi denunciado pela morte de uma criança em Alagoas
Um dos processos mais graves envolvendo o nome de Gildate remonta ao ano de 1996, quando ele e outros policiais civis foram denunciados por uma ação ocorrida na zona rural de Boca da Mata, em Alagoas.
Segundo a denúncia, a operação teria resultado na morte de uma criança identificada como Robson Gomes da Silva, além de lesão corporal contra a mãe do menino, invasão de domicílio, violência arbitrária e constrangimento ilegal envolvendo menor de idade.
À época, a defesa dos policiais sustentou que a equipe agiu durante uma situação de flagrante e no cumprimento do dever legal. Ao final do processo, Gildate foi absolvido das acusações.
Denúncia citava agressões e “roleta russa”
Em outro episódio, o Ministério Público de Alagoas denunciou Gildate e outros dois policiais civis por tentativa de homicídio, após supostos episódios de violência registrados em 1995, no município de São Miguel dos Campos.
Conforme a acusação, duas vítimas teriam sido algemadas, levadas para uma delegacia e submetidas a agressões físicas. A denúncia também descrevia uma suposta prática de “roleta russa”, situação em que os envolvidos teriam sido ameaçados com arma de fogo.
O caso tramitou na 3ª Vara Criminal de São Miguel dos Campos, no processo nº 0300640-42.1997.8.02.0053.
Em 2013, a Justiça decidiu pela impronúncia dos acusados, instrumento jurídico utilizado quando não há elementos suficientes para levar o caso a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Na decisão, o magistrado destacou que os policiais negaram as acusações e que testemunhas ouvidas durante a instrução processual não confirmaram a versão apresentada pelo Ministério Público.
Justiça também citou abuso de autoridade
A própria sentença ainda mencionava outro episódio envolvendo agressões físicas e possível abuso de autoridade.
Segundo o texto judicial, existiam elementos que poderiam configurar infração à antiga Lei de Abuso de Autoridade, mas a Justiça reconheceu que a punibilidade já havia sido extinta em outro procedimento.
Até o momento, a defesa de Gildate não foi localizada pela reportagem. O espaço permanece aberto para manifestação.
Relembre o caso
Gildate foi preso em flagrante após ser apontado como autor dos disparos que mataram os agentes Yago Gomes Pereira e Denivaldo Jardel Lira Moraes, durante o retorno de uma missão policial entre os municípios de Piranhas e Delmiro Gouveia, no Sertão alagoano.
Segundo a investigação, os três estavam em uma viatura oficial da Polícia Civil de Alagoas, quando o suspeito, que ocupava o banco traseiro, teria efetuado disparos contra os colegas que estavam nos bancos dianteiros.
A perícia confirmou a existência de dois tiros dentro do veículo, além da localização de estojos compatíveis com a arma apreendida com o investigado.
Durante coletiva realizada nesta quarta-feira (20), o delegado-geral adjunto Eduardo Mero informou que Gildate alegou não se lembrar do momento do crime. “Ele relata lembrar apenas da saída de Piranhas em direção a Delmiro Gouveia e, posteriormente, já fora do veículo, tentando se localizar”, explicou o delegado.
Exames toxicológicos e balísticos foram solicitados
A Polícia Civil instaurou uma comissão especial de delegados para conduzir o inquérito, presidida pelo delegado Sidney Tenório, com participação de Flávio Dutra e Andrey Araújo.
Segundo a corporação, já foram solicitados exames toxicológicos no suspeito e nas vítimas, perícia balística, análises técnicas da cena do crime e exames complementares no Instituto Médico Legal (IML).
O delegado Antônio Carlos Lessa afirmou que o caso será conduzido com rigor. “Todas as providências foram adotadas imediatamente. O caso será investigado com total rigor, sem qualquer privilégio por se tratar de um integrante da instituição”, declarou.
Policiais mortos deixam famílias e carreiras marcadas pela dedicação
Yago Gomes Pereira atuava havia cerca de três anos na Polícia Civil de Alagoas. Era casado e deixou uma filha pequena.
Já Denivaldo Jardel Lira Moraes era pai de três filhos e vivia um momento de celebração familiar após o nascimento de uma filha e a aprovação do filho mais velho no curso de Medicina.