Corpos de policiais mortos dentro de viatura em AL serão sepultados em Sergipe e Pernambuco
Agentes Yago Gomes e Denivaldo Jardel foram assassinados a tiros em Delmiro Gouveia; colega de farda segue preso e investigação apura motivação do crime
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Os corpos dos policiais civis Yago Gomes Pereira, de 33 anos, e Denivaldo Jardel Lira Moraes, de 47 anos, já foram liberados pelo Instituto Médico Legal (IML) e serão sepultados nesta quinta-feira (21), um dia após o crime que chocou a segurança pública de Alagoas. Os agentes foram mortos a tiros dentro de uma viatura oficial da Polícia Civil, em Delmiro Gouveia, no Sertão do estado.
Yago Gomes será enterrado às 11h, no Cemitério Colina da Saudade, em Aracaju, Sergipe. Já Denivaldo Jardel terá o sepultamento realizado às 16h, no município de Sertânia, no Sertão pernambucano.
O principal suspeito do duplo homicídio é o também policial civil Gildate Góes Moraes Sobrinho, de 61 anos, que foi preso em flagrante logo após o crime e teve a prisão convertida em preventiva durante audiência de custódia.
Segundo as investigações iniciais da Polícia Civil de Alagoas, os dois agentes foram mortos durante o retorno de uma diligência realizada no município de Piranhas.
De acordo com a perícia, Yago Gomes foi atingido por um tiro na lateral direita da cabeça, enquanto Denivaldo Jardel foi baleado na nuca. A principal linha investigativa considera o caso como duplo homicídio qualificado pela impossibilidade de defesa das vítimas.
A apuração indica que os dois policiais estavam nos bancos dianteiros da viatura, enquanto Gildate ocupava o banco traseiro no momento dos disparos.
Em depoimento, o suspeito alegou não se lembrar de como o crime ocorreu.
Polícia detalha investigação
Durante coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (20), a Polícia Civil apresentou novos detalhes sobre o caso. Participaram da entrevista o delegado-geral adjunto Eduardo Mero, os delegados Antônio Carlos Lessa, Sidney Tenório e Flávio Dutra.
Segundo Eduardo Mero, o policial investigado afirmou lembrar apenas da saída de Piranhas rumo a Delmiro Gouveia e depois já estar fora do veículo.
“Ele relata lembrar apenas da saída de Piranhas em direção a Delmiro Gouveia e, posteriormente, já fora do veículo, tentando se localizar”, explicou o delegado.
A perícia confirmou que dois disparos foram efetuados dentro da viatura, e estojos compatíveis com a arma apreendida com o suspeito foram encontrados no local do crime.
O delegado Antônio Carlos Lessa informou que Gildate foi transferido para Maceió, onde será submetido a exames e avaliações complementares.
“Todas as providências foram adotadas imediatamente. O caso será investigado com total rigor, sem qualquer privilégio por se tratar de um integrante da instituição”, afirmou.
Exames toxicológicos e balísticos foram solicitados
Segundo o delegado Flávio Dutra, a comissão responsável pelo inquérito já requisitou exames toxicológicos nas vítimas e no suspeito, além de análises balísticas e perícias técnicas para esclarecer a dinâmica do crime.
“Oficiamos o Instituto Médico Legal e o Instituto de Criminalística para realização de exames toxicológicos, balísticos e demais análises que possam esclarecer a dinâmica do crime”, afirmou.
Uma comissão especial de delegados foi criada para conduzir o inquérito, presidida por Sidney Tenório e integrada ainda pelos delegados Flávio Dutra e Andrey Araújo.
Vítimas deixam famílias e carreira marcada pela dedicação
Yago Gomes atuava havia cerca de três anos na Polícia Civil de Alagoas, era casado e deixou uma filha pequena.
Já Denivaldo Jardel era pai de três filhos e, segundo familiares, vivia um momento de celebração após conquistas recentes da família, incluindo o nascimento de uma filha e a aprovação do filho mais velho no curso de Medicina.
Em nota, o Sindicato dos Policiais Civis de Alagoas lamentou profundamente a morte dos agentes e manifestou solidariedade aos familiares, amigos e colegas de trabalho.
Diante da repercussão do caso, o delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, Thales Araújo, interrompeu agenda oficial em Brasília para retornar ao estado e acompanhar pessoalmente as investigações.