31 de julho de 2025
EM UNIÃO DOS PALMARES

Operação da PF em Alagoas pode ter ligação com investigação que afastou ex-delegado-geral da PC

Operação Último Elemento apura suspeitas de fraudes em concursos da Polícia Federal e pode ser desdobramento de esquema da chamada “máfia dos concursos”

Por Redação
Publicado em
Operação apura suspeitas de irregularidades em certames para os cargos de agente e de delegado da Polícia Federal - Foto: Polícia Federal/Divulgação

A operação deflagrada pela Polícia Federal em Alagoas, nesta terça-feira (19), pode ter relação com a investigação que resultou no afastamento do ex-delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, Gustavo Xavier, suspeito de envolvimento em um esquema de fraudes em concursos públicos.

Batizada de Operação Último Elemento, a ação cumpriu um mandado de busca e apreensão em União dos Palmares, na Zona da Mata alagoana, dentro de um inquérito que investiga possíveis irregularidades em concursos da própria Polícia Federal para os cargos de agente e delegado.

Embora a PF ainda não tenha confirmado oficialmente a conexão entre os casos, a nova ofensiva é tratada nos bastidores como um possível desdobramento da investigação sobre a chamada “máfia dos concursos”, organização criminosa sediada em Patos, no Sertão da Paraíba, suspeita de fraudar certames públicos em diversos estados brasileiros.

Ex-delegado é investigado por suposta pressão para beneficiar aliados

Segundo investigações conduzidas anteriormente pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal (MPF), Gustavo Xavier é suspeito de ter pressionado integrantes do grupo criminoso para obter vantagens ilícitas em concursos públicos para familiares e pessoas próximas.

A apuração teria como base depoimentos de colaboração premiada e interceptações telefônicas, que apontariam a suposta atuação do ex-delegado no esquema.

Entre os possíveis beneficiários, de acordo com o MPF, estariam parentes do ex-delegado-geral, que teriam sido aprovados em concursos públicos após suposta interferência do grupo investigado.

Até o momento, a defesa de Gustavo Xavier não se pronunciou sobre os novos desdobramentos.

“Máfia dos concursos” cobrava até R$ 500 mil por aprovação

Conforme as investigações, o grupo criminoso utilizava diferentes métodos para fraudar concursos públicos em várias regiões do país.

Entre as estratégias identificadas pelas autoridades estão:

  • Envio de gabaritos durante a aplicação das provas;
  • Uso de tecnologia para comunicação em tempo real entre candidatos e integrantes do esquema;
  • Participação de pessoas com acesso privilegiado aos locais de prova;
  • Vazamento de informações sigilosas relacionadas aos certames.

Ainda segundo a PF, o grupo atuaria há mais de uma década e cobrava valores que poderiam chegar a R$ 500 mil para garantir aprovações em concursos considerados de alta concorrência.

Operação Último Elemento apreendeu celular e computador em Alagoas

Na ação realizada nesta terça-feira em União dos Palmares, os agentes federais apreenderam um aparelho celular e um computador, que serão submetidos à perícia técnica.

Os equipamentos podem ajudar a aprofundar as investigações e esclarecer a eventual ligação entre os investigados e o suposto esquema de fraude em concursos públicos.

A Polícia Federal ainda não divulgou nomes dos alvos da operação nem informou se haverá novas fases da investigação.

Leia também