31 de julho de 2025
VIOLÊNCIA URBANA

Secretário da Segurança da Paraíba admite influência do crime no poder público e diz que avanço de facções dificulta combate em Cabedelo

Após reportagem do Fantástico expor domínio de facção ligada ao Comando Vermelho na cidade, secretário Jean Nunes afirma que relação entre crime organizado e agentes públicos é obstáculo para ações de segurança

Por Redação
Publicado em
Segundo as investigações, integrantes da facção criminosa Comando Vermelho monitoram a rotina dos moradores de Cabedelo (PB) a partir do Rio de Janeiro - Foto: Reprodução/TV Globo

A atuação de facções criminosas em Cabedelo, na Região Metropolitana de João Pessoa, ganhou repercussão nacional após reportagem exibida pelo Fantástico, da TV Globo, neste domingo (10). Nesta segunda-feira (11), o secretário de Segurança Pública da Paraíba, Jean Nunes, afirmou que a relação entre o crime organizado e o poder público tem sido um dos principais entraves no enfrentamento às organizações criminosas no estado.

Em entrevista à TV Cabo Branco, o secretário reconheceu a dificuldade imposta pela influência do crime em setores institucionais, mas destacou que as forças de segurança seguem atuando em cooperação com outros órgãos.

“A correlação entre o crime e o poder público dificulta naturalmente o trabalho, mas não impede. A gente tem feito nossa parte enquanto segurança pública em cooperação com atores como Ministério Público, Poder Judiciário, Polícia Federal”, declarou Jean Nunes.

Segundo ele, desde o fim de 2023, quando as forças de segurança começaram a identificar uma intensificação da atuação de facções na Região Metropolitana de João Pessoa, mais de 200 pessoas ligadas ao crime organizado já foram presas.

De acordo com o secretário, operações realizadas em parceria entre a Polícia Civil da Paraíba, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado), além de forças de segurança de outros estados, resultaram em dezenas de prisões.

“Em 2024 tivemos uma série de operações realizadas. A Polícia Civil com o Gaeco realizaram fora do estado 98 prisões de pessoas relacionadas ao crime organizado, além de ações em Cabedelo. Em 2025, foram 110 prisões”, afirmou.

Jean Nunes também confirmou participação, nesta terça-feira (12), no lançamento do programa federal “Brasil Contra o Crime Organizado”, iniciativa do governo federal que prevê cerca de R$ 11 bilhões em investimentos para reforçar o combate às facções criminosas no país.

A reportagem exibida pelo Fantástico revelou que Cabedelo estaria sob influência de uma facção criminosa comandada à distância a partir do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, com ligação ao Comando Vermelho.

Segundo a investigação apresentada pelo programa, criminosos passaram a exercer influência direta sobre a rotina dos moradores, impondo regras e ampliando o domínio territorial no município, conhecido por praias e pelo turismo.

A reportagem destacou ainda que mais de dez operações da Polícia Federal e do Ministério Público já foram realizadas para combater corrupção e o avanço do crime organizado na cidade.

Um dos nomes mais citados nas investigações é o de Flávio de Lima Monteiro, conhecido como Fatoka, de 43 anos.

De acordo com autoridades, ele iniciou sua trajetória criminosa na facção Nova Okaida, na Paraíba, e posteriormente teria fundado a Tropa do Amigão, apontada como um braço do Comando Vermelho no Nordeste.

Contra Fatoka existem 13 mandados de prisão, relacionados a crimes como tráfico de drogas, homicídios e organização criminosa.

Ele chegou a ser preso no Presídio de Segurança Máxima da Paraíba, mas fugiu em setembro de 2018 durante uma fuga em massa que envolveu 92 detentos, com uso de explosivos.

Nas ruas de Cabedelo, pichações com siglas ligadas ao Comando Vermelho e referências a Fatoka aparecem, segundo investigações, como marcações de domínio territorial da facção.

Leia também