31 de julho de 2025
ABANDONO DA EDUCAÇÃO

Funcionários de escola estadual paralisam atividades contra sobrecarga de trabalho em Maceió

Merendeiras denunciam condições precárias, falta de servidores e aumento de adoecimento na rede estadual de ensino em Alagoas

Por Redação
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Protesto na manhã desta quinta-feira (30) na Escola Estadual Teotônio Vilela. - Foto: Divulgação

Funcionários da Centro Educacional de Pesquisa Aplicada (CEPA) paralisaram as atividades nesta quinta-feira (30) em protesto contra a sobrecarga de trabalho na Escola Estadual Teotônio Vilela, uma das unidades do maior complexo educacional de Alagoas. A mobilização denuncia a falta de profissionais e o agravamento das condições de trabalho, especialmente entre merendeiras.

De acordo com relatos, a escola em tempo integral opera atualmente com apenas três merendeiras — duas no turno da manhã e apenas uma à tarde — enquanto outras duas servidoras estão afastadas por doenças relacionadas ao trabalho. A situação, segundo os trabalhadores, compromete a qualidade do serviço e a saúde dos profissionais.

“As escolas hoje servem alimentação completa, não apenas lanche. Isso é importante, mas não pode ser feito às custas do adoecimento das merendeiras, que muitas vezes cozinham sozinhas para até 300 alunos”, afirmou Liliane Pereira, diretora do Sindicato dos Auxiliares da Educação Estadual (SAE/AL).

Afastamentos por doenças laborais disparam na rede estadual

Dados da perícia médica reforçam o cenário preocupante. Em 2021, cerca de 290 servidores foram afastados por doenças ocupacionais. Em 2025, esse número mais que dobrou, chegando a 593 casos. Apenas até abril de 2026, já são 201 afastamentos registrados.

Outro ponto crítico é a defasagem no quadro de funcionários. O último concurso público para trabalhadores da educação estadual foi realizado em 2006. Desde então, as escolas perderam aproximadamente 40% dos servidores, segundo entidades sindicais.

Protestos e críticas à gestão estadual ganham força

A paralisação no CEPA ocorre um mês após a realização da II Marcha das Aposentadas, organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Alagoas (Sinteal), que levou profissionais às ruas de Maceió em protesto contra políticas do governo Paulo Dantas.

Entre as principais críticas estão perdas salariais de aposentados, precarização das condições de trabalho e a implementação do ensino integral sem estrutura adequada. Para os manifestantes, há um “desmonte” da educação pública estadual.

Queda de matrículas e risco de esvaziamento das escolas

Professores da rede estadual denunciam ainda uma redução significativa no número de alunos em diversas unidades do CEPA. A queda estaria relacionada à implantação do ensino integral, que, segundo educadores, não atende à realidade de estudantes que precisam conciliar estudo e trabalho.

Levantamentos apontam reduções expressivas:

  • - Escola Moreira e Silva: de 2.159 alunos (2019) para 431 (2026)
  • - Afrânio Lages: de 469 (2016) para cerca de 70 (2026)
  • - Laura Dantas: de 809 (2019) para 168 (2025)
  • - Dom Pedro II: de 603 (2019) para 237 (2025)

Além disso, há denúncias de implantação de cursos técnicos sem estrutura adequada ou contratação de profissionais qualificados.

Ministério Público aponta falhas estruturais no ensino integral

Uma inspeção do Ministério Público do Estado de Alagoas no início de março identificou problemas graves nas unidades do CEPA, como falta de professores, ausência de laboratórios, salas inadequadas e deficiência na iluminação.

Segundo o promotor Lucas Sachsida, a precariedade compromete a qualidade do ensino e pode estimular a evasão escolar. O órgão informou que irá cobrar providências da Secretaria de Estado da Educação.

Seduc nega crise e fala em “reordenamento demográfico”

Em nota oficial na época, a Secretaria de Estado da Educação (Seduc) negou a existência de crise estrutural no CEPA e afirmou que os dados refletem um “reordenamento demográfico”.

Segundo a pasta, mudanças na dinâmica urbana de Maceió — agravadas pelo impacto do desastre da Braskem — levaram à migração de famílias para outras regiões, influenciando diretamente nas matrículas. A secretaria também defendeu o ensino integral, classificando o modelo como “sucesso de adesão”.

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