Sindicato denuncia esvaziamento no Cepa e risco de fechamento de escolas; Seduc nega crise e fala em "reordenamento demográfico"
Dados apontam queda expressiva de matrículas em unidades do complexo; professores cobram diálogo e revisão do modelo integral e técnico
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O complexo educacional que já foi referência em Alagoas enfrenta hoje um cenário de incertezas. Professores da rede estadual denunciam o esvaziamento de escolas localizadas no Centro Educacional de Pesquisa Aplicada (Cepa), em Maceió, e afirmam que há risco de fechamento de unidades. A mobilização ganhou força nos últimos dias, com apoio do Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Alagoas (Sinteal), enquanto a Secretaria de Estado da Educação (Seduc) nega crise estrutural e atribui as mudanças a um "reordenamento demográfico".
Segundo o professor da rede estadual Édson Lessa, o que há de concreto é uma queda expressiva nas matrículas após a implantação do ensino integral, iniciada em 2020. Ele cita como exemplo a Escola Estadual Moreira e Silva, que tinha 2.159 alunos em 2019 e hoje conta com 431 matriculados. "Há turmas com menos de 10 estudantes. Isso é um dado preocupante", destacou.
Dados do próprio sistema da Seduc, apresentados pelos professores, indicam redução significativa em outras unidades do complexo ao longo dos últimos anos:
- Escola Estadual Professor Afrânio Lages: de 469 alunos em 2016 para cerca de 70 em 2026;
- Escola Estadual Princesa Isabel: de 561 em 2015 para 416 em 2025;
- Escola Estadual Professora Laura Dantas: de 809 em 2019 para 168 em 2025;
- Escola Estadual Professor José da Silveira Camerino: de 1.288 em 2019 para 397 em 2025;
- Escola Estadual Professora Maria José Loureiro: de 882 em 2019 para 467 em 2025;
- Escola Estadual Dom Pedro II: de 603 em 2019 para 237 em 2025;
- Escola Estadual Teotônio Vilela: de 316 em 2017 para 252 em 2025.
Além da redução nas matrículas, os professores também questionam a implantação de cursos técnicos no complexo. Segundo Édson Lessa, as disciplinas foram implementadas sem a publicação de edital para contratação de profissionais habilitados, o que compromete a execução adequada dessas disciplinas.
"Nossa mobilização não é contra a educação integral em si, mas contra a imposição de um modelo único que, na realidade do Cepa, tem resultado em evasão. Muitos estudantes precisam trabalhar e não conseguem permanecer o dia inteiro na escola", declarou.
O professor defende a abertura de diálogo com a Seduc e a revisão do formato nas unidades onde há queda comprovada de matrículas, inclusive com possibilidade de oferta do tempo parcial como alternativa.
O Sinteal visitou o Cepa na manhã desta segunda-feira (2) para discutir a situação das escolas com profissionais da educação. Ao final do encontro, foi definida uma agenda de mobilizações para as próximas semanas, incluindo reunião com o Ministério Público de Alagoas, participação na Marcha dos Aposentados e outras atividades públicas.
O presidente do sindicato, Izael Ribeiro, aponta falta de estrutura física compatível com o modelo integral e técnico, além da devolução de professores à Seduc em razão da redução de matrículas. Ele também afirma que o formato técnico, com ingresso apenas no primeiro ano, impede novas matrículas no decorrer do curso, gerando vagas ociosas e desorganização na rede.
Em nota, a Seduc informou que não procede a informação de suspensão de aulas ou evasão generalizada no Cepa. A secretaria sustenta que os dados oficiais de fevereiro de 2026 apontam um cenário de reordenamento demográfico, e não de crise estrutural.
A pasta cita como exemplo a Escola Estadual Princesa Isabel, que teria registrado aumento de matrículas de 387 alunos em dezembro de 2025 para 443 em fevereiro de 2026, classificando o ensino integral como "um sucesso de adesão".
Sobre a redução observada em unidades como a Moreira e Silva, a Seduc atribui a mudança à dinâmica urbana de Maceió, especialmente após o desastre da Braskem, que levou famílias a migrarem para a parte alta da cidade. Segundo a secretaria, a medida visa garantir vagas em escolas mais próximas das novas residências, evitando deslocamentos prolongados.
Veja a nota da Seduc na íntegra:
Nota de Esclarecimento sobre o fluxo de matrículas e gestão no Complexo Cepa
A Secretaria de Estado da Educação (Seduc) informa que não procede a informação de suspensão de aulas ou evasão generalizada no Centro Educacional de Pesquisa Aplicada (Cepa). Os dados oficiais de matrículas de fevereiro de 2026 revelam um cenário de reordenamento demográfico e não de crise estrutural.
A Seduc esclarece que o modelo de Ensino Integral é um sucesso de adesão, como demonstra a Escola Estadual Princesa Isabel, que registrou aumento real em seu quadro, saltando de 387 alunos em dezembro de 2025 para 443 alunos em fevereiro de 2026.
A redução pontual observada em unidades como a Escola Estadual Moreira e Silva (de 491 para 433 alunos) reflete a nova dinâmica urbana de Maceió, onde famílias migraram das áreas afetadas pelo desastre da Braskem para a Parte Alta. Em respeito à legislação e ao bem-estar estudantil, a Seduc tem garantido vagas em novas escolas próximas às residências dos alunos, evitando deslocamentos exaustivos de até 3 horas diárias.