31 de julho de 2025
JORNAL DA FRANCÊS

Escolas estaduais abandonadas na parte alta de Maceió viram ponto de drogas e desmanche de veículos, denuncia UESAL

Reportagem do Jornal da Francês percorreu unidades no Benedito Bentes e constatou lixo, invasões, fiação exposta e quadro de sucateamento; alunos reclamam de falta d’água, calor e até buracos que dão acesso a grotas

Por Redação
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Reportagem do Jornal da Francês visitou escolas na parte alta de Maceió. - Foto: Reprodução/Jornal da Francês

O que deveria ser um espaço de aprendizado e convivência virou sinônimo de abandono, lixo e perigo. Uma série de visitas feitas pelo Jornal da Francês a escolas estaduais na parte alta de Maceió, em especial no bairro Benedito Bentes, comprovou denúncias da União dos Estudantes de Alagoas (UESAL): prédios desativados sendo usados para tráfico de drogas, desmanche de veículos e abrigo de moradores em situação de rua, enquanto unidades ativas enfrentam infiltrações, falta de água, fiação exposta e buracos que se conectam a grotas.

A repórter Gabriela Garrido visitou a antiga escola estadual do Benedito Bentes, desativada há cerca de quatro meses. A fachada ainda colorida esconde a realidade: muros baixos que qualquer um pula, lixo espalhado por todos os lados e ausência total de vigilância. “É um prato cheio para quem quer cometer crimes”, alerta a repórter. Segundo a UESAL, o local chegou a atender 800 alunos – 400 pela manhã e 400 à tarde – antes do fechamento.

O vice-presidente da UESAL, Ryan Quintela, relata que acionou a Polícia Militar no último sábado (data a confirmar) para conseguir entrar na área deserta. Quando os policiais chegaram, dezenas de pessoas que estavam dentro do ginásio fugiram correndo. “Até a própria polícia assustou com a quantidade de gente que tinha lá dentro”, afirma. A sensação de insegurança afeta também os moradores que passam pelo local à noite.

Realocação ou fechamento? Entidade critica governo
A poucos metros da escola abandonada, outro prédio foi construído – mas, na prática, não ampliou o atendimento. O presidente da UESAL, Lucas Sabino, denuncia que se trata de uma mera realocação. “Não consta que seja uma relocação. Isso prejudica os estudantes. Fechamos uma escola, fechamos oportunidades e temos hoje um prédio que serve para o tráfico”, critica. Segundo ele, o governo “fantasia” a entrega de uma nova unidade como se fossem vagas extras, mas o número de estudantes atendidos na região não aumentou.

Sucateamento atinge também escola ativa: Irene Garrido
O problema não se limita às unidades desativadas. A reportagem foi até a Escola Estadual Irene Garrido, onde alunos relataram um cotidiano de sucateamento. Na semana da visita, faltava água – foi necessário um caminhão-pipa. Houve apagão nas primeiras aulas do ano, e a manutenção elétrica tirou dias letivos. As paredes têm infiltração, janelas são remendadas, portas sem tranca. As caixas de ar-condicionado estão apoiadas em escoras improvisadas, e canos jorram água a céu aberto.

“A quadra a gente não consegue usar quando chove, e quando tá muito sol também porque fica quente demais”, lamenta o aluno Elson Gabriel, que estuda na Irene Garrido desde o primeiro ano e diz que a situação já vem de antes de ele entrar. “Tem muito tempo que tá assim.”

Buracos, fiação exposta e acesso a grotas
A equipe de reportagem flagrou fiação elétrica exposta na quadra – um risco sério em dias de chuva. Um grande buraco separado apenas por uma madeira dá acesso direto a outra rua, aumentando a vulnerabilidade do espaço. Jonathan Bruno, secretário de Esportes da UESAL, exemplifica que o ginásio do Colégio Irene desabou em 2020 e segue sem revitalização em 2026. Outro ginásio, do Eunicio de Lemos Campos, teve obra iniciada há um ano e foi paralisada.

“As irregularidades hoje são sem porta, sem água, piso sem pintar, acesso a grotas. Qualquer pessoa sobe ali e entra brincando”, resume Jonathan.

O que diz a Seduc
Em nota ao Jornal da Francês, a Secretaria de Estado da Educação (Seduc) alegou que as obras da Escola Irene Garrido estão em andamento. Sobre a falta de água, a pasta informou que o problema afetou todo o Conjunto Dubeaux Leão, não apenas a escola, mas foi sanado com o envio de caminhão-pipa. A Seduc também negou a falta de professores, afirmando que “não há carência na escola”.

A reportagem destaca que, mesmo com a nota, os estudantes ouvidos insistem que a infraestrutura segue precária e que as obras não têm prazo certo para conclusão. A UESAL promete levar o caso ao Ministério Público e à Comissão de Educação da Assembleia Legislativa de Alagoas.