Erika Hilton cobra investigação do MP sobre jogo criado por alunos do ITA que simula abusos de caso Epstein
Deputada afirma que conteúdo reproduz dinâmica de crimes hediondos e reforça cultura de violência contra mulheres
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A deputada Erika Hilton (PSol-SP) cobrou apuração do Ministério Público de São Paulo (MP/SP) sobre um jogo criado por alunos do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) que reproduz a dinâmica de abusos sexuais descrita no caso do financista Jeffrey Epstein, nos Estados Unidos.
Em requerimento apresentado na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara, a parlamentar pede abertura de investigação “de denúncias relativas à ameaça ou à violação dos direitos da mulher, em especial as vítimas de violência doméstica, física, psicológica e moral”.
O jogo elaborado pelos alunos do ITA, instituição vinculada à Força Aérea Brasileira (FAB), simula a fuga de uma garota de 15 anos presa em uma ilha com abusadores sexuais. O contexto se refere ao local para onde Epstein traficou dezenas de crianças no esquema de pedofilia comandado por ele. A apresentação do jogo contou com uma foto de Epstein, reforçando a referência.
“Ao transformar um cenário de trauma real e crimes hediondos em entretenimento digital, os autores não apenas demonstram falta de ética e empatia, mas também reforçam uma cultura de misoginia e violência que desumaniza as mulheres”, argumentou Erika Hilton no requerimento.
“A gravidade do fato é acentuada por ocorrer em um ambiente acadêmico que deveria prezar pela formação cidadã e pelo respeito aos Direitos Humanos. A reprodução de dinâmicas baseadas no ‘sistema Epstein’ — que envolveu a coação e o abuso sistemático de jovens — é uma afronta à dignidade das mulheres e um retrocesso no enfrentamento à violência de gênero no Brasil. Não podemos admitir que a tecnologia seja utilizada como ferramenta de propagação de ódio e banalização do crime”, afirmou a deputada.
Posicionamento do ITA
Em nota, o ITA informou que a apresentação fez parte de um trabalho no qual os alunos deveriam elaborar propostas de jogos que seriam desenvolvidos durante o semestre. A ideia foi rejeitada por tratar de um “assunto inapropriado”.
“O ITA destaca que o caso está sendo tratado de forma célere e responsável, dentro das normas vigentes da instituição. Ações de conscientização serão reforçadas junto à comunidade discente por meio do Grupo de Trabalho de Equidade de Gênero e demais órgãos da estrutura administrativa e acadêmica do Instituto”, afirmou.
O caso gerou repercussão negativa nas redes sociais e entre entidades de defesa dos direitos humanos. A FAB também foi acionada para se manifestar sobre a conduta dos alunos da instituição de ensino superior vinculada à Aeronáutica. A deputada aguarda o posicionamento do Ministério Público sobre a abertura das investigações.