31 de julho de 2025

PF cumpre mandados contra policiais militares suspeitos de ligação com tráfico e milícias no RJ

Operação Anomalia, terceira fase da Força-Tarefa Missão Redentor II, mira agentes que usavam a farda para blindar criminosos e ocultar dinheiro ilícito

Por Redação
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PF mira policiais militares suspeitos de ligação com o crime organizado no RJ - Foto: Polícia Federal/Divulgação

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira (11) a terceira fase da Operação Anomalia, com o objetivo de desarticular um núcleo de policiais militares do estado do Rio de Janeiro suspeitos de atuar em benefício do crime organizado. A ação integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, criada a partir de determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da ADPF 635, conhecida como "ADPF das Favelas".

Ao todo, estão sendo cumpridos sete mandados de prisão preventiva e sete mandados de busca e apreensão nas cidades do Rio de Janeiro, Nova Iguaçu e Nilópolis. O STF também determinou o afastamento imediato das funções públicas de todos os investigados, bem como a quebra de sigilo de dados dos equipamentos eletrônicos apreendidos. As ordens judiciais estão sendo executadas com o apoio da Corregedoria da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ).

Segundo as investigações, os policiais militares alvos da operação utilizavam as prerrogativas da farda e da função pública para atuar em benefício de facções criminosas e milícias que controlam territórios no estado. Os elementos probatórios colhidos revelaram uma estrutura criminosa voltada não apenas à facilitação logística para o tráfico de drogas e grupos paramilitares, mas também à blindagem de criminosos e à ocultação do proveito econômico ilícito, como dinheiro e bens obtidos ilegalmente.

A investigação aponta que os agentes públicos desviavam recursos e informações privilegiadas para proteger as operações das organizações criminosas, além de atuar na lavagem do dinheiro arrecadado com atividades ilegais.

Os investigados poderão responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva e lavagem de capitais.

O material apreendido durante as buscas será submetido a análise pericial e de inteligência, com o objetivo de identificar possíveis outros agentes públicos envolvidos no esquema criminoso .

Força-Tarefa Missão Redentor II

A Operação Anomalia é mais um desdobramento da Força-Tarefa Missão Redentor II, que consolida as diretrizes do STF para o cumprimento da ADPF 635. A arguição determina que o estado do Rio de Janeiro adote medidas para reduzir a letalidade policial e o controle de territórios por grupos criminosos, além de investigar a fundo a infiltração do crime organizado nas instituições públicas.

Esta é a terceira fase da operação, indicando que as apurações sobre a conexão entre agentes de segurança e o crime organizado no Rio de Janeiro estão longe de terminar.

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