31 de julho de 2025
MUNDO

Irã endurece discurso e descarta negociação com EUA após ataques

Chefe de segurança iraniano contradiz versão de Trump sobre retomada de diálogo e afirma que país não negociará com Washington; presidente americano diz que campanha militar pode durar quatro semanas

Por Redação
Publicado em
Coluna de fumaça aparece em Teerã após ataque com míssil atingir prédio, em 1º de março de 2026. - Foto: Reprodução/Atta Kenare/AFP

O chefe de segurança do Irã, Ali Larijani, afirmou nesta segunda-feira (2) que o país não negociará com os Estados Unidos. A declaração, publicada na rede social X, contradiz diretamente o presidente americano Donald Trump, que mais cedo havia dito que a nova liderança iraniana teria interesse em retomar as conversas sobre o programa nuclear.

"Com suas ações delirantes, ele transformou seu slogan 'América Primeiro' em 'Israel Primeiro' e sacrificou soldados americanos pelas ambições de poder de Israel", escreveu Larijani, referindo-se a Trump. "As forças armadas do Irã não iniciaram a agressão", completou.

Apesar da negativa, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou ao chanceler de Omã, Badr Albusaidi, que Teerã estaria aberta a "esforços sérios" para reduzir a tensão após os ataques israelenses e norte-americanos. Omã, que atua como mediador histórico nas negociações nucleares, defendeu um cessar-fogo e a retomada do diálogo.

Trump: campanha vai continuar até que objetivos sejam atingidos

Em pronunciamento publicado nas redes sociais neste domingo (1º), Trump afirmou que a campanha militar dos EUA no Irã vai continuar até que todos os objetivos sejam atingidos. O presidente americano também prometeu vingar a morte de três militares norte-americanos mortos na retaliação iraniana.

Em tom de ameaça, Trump fez um apelo direto às Forças Armadas e à Guarda Revolucionária do Irã: "Entreguem as suas armas e recebam total imunidade, ou encarem a morte certa."

Ao jornal britânico Daily Mail, Trump declarou que o conflito deve se arrastar pelas próximas quatro semanas. "Sempre foi um processo de quatro semanas. É um país grande, levará quatro semanas — ou menos", disse.

O presidente americano também afirmou que parte dos negociadores iranianos envolvidos em tratativas recentes morreu nos ataques. "A maioria dessas pessoas se foi. Foi um grande golpe", declarou.

Cenário de guerra

Estados Unidos e Israel lançaram um grande ataque contra o Irã no sábado (28), que deixou 201 mortos e 747 feridos, segundo o Crescente Vermelho iraniano. Entre os mortos está o líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei. Explosões foram registradas em Teerã e outras cidades. Em resposta, o Irã disparou mísseis contra Israel e atacou bases americanas no Oriente Médio.

O Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de petróleo do mundo, foi fechado por questões de segurança. O governo americano afirmou que os danos às suas bases foram "mínimos" e que nenhum militar morreu na ação — embora três tenham morrido na retaliação iraniana.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que a ofensiva matou comandantes da Guarda Revolucionária e altos funcionários ligados ao programa nuclear iraniano. Segundo ele, "milhares de alvos" serão atacados nos próximos dias. Netanyahu também fez um apelo à população iraniana para que se levante contra o regime: "Não percam a oportunidade. Esta é uma oportunidade que surge uma vez por geração."

Leia também