31 de julho de 2025
DESVIOS E MORTES

Operação Contrato Final: PF desarticula esquema milionário de fraudes contra a Caixa Econômica em Alagoas

Investigações apontam participação de gerente do banco e mortes suspeitas de pessoas em situação de vulnerabilidade que tiveram seguros de vida contratados pelo grupo

Por Redação
Publicado em
Operação da Polícia Federal em Alagoas mira fraudes na Caixa. - Foto: Polícia Federal/Divulgação

A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Alagoas (FICCO/AL) deflagrou na manhã desta quarta-feira (25) a Operação Contrato Final, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa especializada em fraudes bancárias milionárias e lavagem de dinheiro contra a Caixa Econômica Federal. A ação, que contou com apoio do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar e da Polícia Penal do estado, cumpriu 32 mandados judiciais nos municípios de Maceió, Coruripe e São Luís do Quitunde.

De acordo com as investigações, o grupo era liderado por empresários da região e contava com a participação direta de um gerente da própria Caixa Econômica Federal, que teria facilitado a liberação de empréstimos obtidos por meio de documentação falsa e empresas de fachada. Os recursos obtidos eram rapidamente transferidos para contas pessoais dos líderes ou para empresas coligadas, numa estratégia típica de lavagem de capitais destinada a dificultar o rastreamento do dinheiro.

Além das fraudes de crédito, a investigação revelou um desdobramento ainda mais grave. O esquema envolvia a contratação de apólices de seguro de vida em nome de pessoas em situação de vulnerabilidade social, que vinham a óbito em circunstâncias consideradas suspeitas logo após a formalização dos contratos, figurando os líderes do grupo como beneficiários. Há indícios de mortes de moradores de rua por afogamento em circunstâncias suspeitas, casos que serão encaminhados ao órgão policial competente para apuração específica.

Segundo apuração da CNN Brasil, o grupo aliciava pessoas em situação de vulnerabilidade e assinava contratos de vida delas com a Caixa, com a ajuda do gerente. Entre dois e três meses depois da assinatura, a Caixa constatava a morte dessas pessoas, e o dinheiro do seguro de vida, cerca de R$ 1 milhão por apólice, deveria ir para os empresários. Com a suspeita inicial da fraude, a Caixa bloqueou o repasse e encaminhou o caso à Polícia Federal.

Durante as diligências desta quarta-feira, foram apreendidos veículos de luxo, armas de fogo, balança de precisão e diversos equipamentos eletrônicos que devem auxiliar no aprofundamento das investigações. A Justiça também determinou o sequestro de bens no valor de R$ 1,5 milhão, o afastamento cautelar do gerente da Caixa de suas funções públicas e a quebra de sigilo de dados telemáticos dos investigados.

O delegado James Miranda, chefe da FICCO/AL, afirmou que empresários, servidores e intermediários utilizavam empresas fantasmas para contratar empréstimos, deixando o prejuízo para o banco público . Os investigados poderão responder por lavagem de capitais, estelionato majorado, falsidade ideológica, organização criminosa e obtenção de financiamento mediante fraude em instituição financeira. As penas, se somadas, podem ultrapassar 30 anos de reclusão.

A Polícia Federal ressaltou que fraudes contra instituições bancárias federais comprometem a integridade do Sistema Financeiro Nacional e desviam recursos que deveriam ser destinados ao fomento econômico e ao atendimento social da população . A FICCO/AL é composta pela Polícia Federal, Polícia Militar de Alagoas e Polícia Penal do estado, atuando de forma integrada no enfrentamento ao crime organizado.

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