PF deflagra Operação Voto Livre para investigar compra de votos nas eleições de 2024 em Divina Pastora (SE)
Mandado de busca e apreensão foi cumprido na residência de um investigado; apuração começou em outubro de 2024 com base em conversas de aplicativos de mensagens
Publicado em
A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira (25) a Operação Voto Livre, com o objetivo de aprofundar as investigações sobre um suposto esquema de compra de votos nas eleições municipais de 2024 em Divina Pastora, município localizado a cerca de 50 km de Aracaju, em Sergipe.
Policiais federais cumpriram um mandado de busca e apreensão na residência de um dos investigados. A ação visa colher provas que possam confirmar as suspeitas de corrupção eleitoral durante o último pleito.
De acordo com a PF, as apurações tiveram início em outubro de 2024, a partir de uma denúncia formal apresentada à Justiça Eleitoral de Sergipe. Durante a fase preliminar da investigação, os policiais reuniram elementos que indicam a negociação de votos, incluindo registros de conversas em aplicativos de mensagens.
O material obtido até o momento aponta que um suspeito teria negociado a compra de votos para favorecer uma candidatura específica ao cargo de prefeito no último pleito.
Nas eleições de 2024, Izabel de Nollet (UNIÃO) foi eleita prefeita de Divina Pastora com 50,37% dos votos válidos (1.859 votos), derrotando Clara Rollemberg (PP), que obteve 47,39% (1.749 votos), e Franci do Povo (MDB), com 2,25% (83 votos).
A cidade tem histórico de contestações na Justiça Eleitoral. A prefeita eleita e sua vice, Shirley Graciele Santos (Graci de Showrica), são alvos de uma representação eleitoral por suposta compra de votos, conforme documento que tramita na Justiça. Além disso, o TRE-SE desaprovou as contas de campanha de dois vereadores eleitos no município – Geraldo Anselmo da Silva Santos (Geraldo de Piaba) e Carlos Augusto Siqueira de Jesus (Bacalhau) – por omissão de doações estimáveis.
Em nota, a Polícia Federal informou que as investigações prosseguem para identificar todos os envolvidos e esclarecer a extensão do esquema. Os investigados poderão responder pelo crime de corrupção eleitoral, cuja pena pode chegar a quatro anos de reclusão, além de multa.
O nome da operação, "Voto Livre", faz referência à necessidade de preservar a liberdade de escolha do eleitor, livre de qualquer tipo de coerção ou vantagem indevida.
Até o momento, não foram divulgados os nomes dos alvos da operação nem detalhes sobre qual candidatura teria sido beneficiada pelo suposto esquema.