Madrasta que arremessou enteado de 6 anos do 4º andar vai a júri popular em Maceió
Adriana Ferreira da Silva responde por tentativa de homicídio qualificado; criança sobreviveu à queda no Benedito Bentes
Publicado em
A mulher acusada de tentar matar o próprio enteado, um menino de apenas seis anos, será julgada nesta quarta-feira (25) pelo Tribunal do Júri de Maceió. O crime, que chocou moradores do bairro Benedito Bentes, na parte alta da capital, aconteceu em maio de 2022.
Adriana Ferreira da Silva responde por tentativa de homicídio qualificado. A acusação será sustentada pelo Ministério Público de Alagoas (MPAL) , com parecer da promotora Adilza Inácio de Freitas.
O crime
Segundo a denúncia, a madrasta arremessou a criança da janela de um apartamento no quarto andar na madrugada de 23 de maio de 2022. O episódio aconteceu depois de uma discussão envolvendo a acusada, o companheiro (pai do menino) e outras pessoas. De acordo com o processo, houve consumo de bebida alcoólica antes do desentendimento.
O pai da vítima, José Marcos Nascimento dos Santos, relatou à investigação que, ao retornar ao apartamento, o menino estava dormindo. Instantes antes da queda, ele ouviu a frase: "Ele vai morrer agora". O filho adolescente da acusada teria gritado, tentando impedir a mãe.
Minutos depois, vizinhos encontraram a criança caída no chão, ferida e em estado de choque. O menino foi socorrido e levado a uma unidade hospitalar. Laudos médicos apontam que ele sofreu lesões graves, com hematomas e ferimentos provocados pela queda de grande altura.
A acusação
Para o MPAL, a morte só não ocorreu por circunstâncias alheias à vontade da acusada, o que caracteriza tentativa de homicídio. A denúncia também aponta que a própria ré confessou ter jogado a criança, alegando estar emocionalmente abalada após a briga com o companheiro.
O Ministério Público sustenta que o crime foi cometido com qualificadoras, já que a vítima não tinha qualquer possibilidade de defesa e se tratava de uma criança em condição de absoluta vulnerabilidade. A promotora Adilza Inácio de Freitas destacou que o caso expõe a face mais cruel da violência doméstica.
"Vamos falar sobre a defesa da vida e a proteção integral da criança. É importante ressaltar que esse julgamento vai expor a face mais cruel da violência doméstica, que é quando conflitos entre adultos atingem diretamente quem não tem qualquer possibilidade de defesa", afirmou.
O julgamento acontece nesta quarta-feira (25), em Maceió.