Vaticano anuncia não participação ao Conselho da Paz de Trump
Segundo os EUA, o conselho deveria supervisionar a governança temporária de Gaza
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O Vaticano informou que não vai participar da iniciativa Conselho da Paz, do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O anúncio foi feito pelo cardeal Pietro Parolin, principal diplomata do Vaticano. Ele acrescentou que os esforços para lidar com situações de crise devem ser gerenciados pelas Nações Unidas.
A Santa Sé “não participará do Conselho da Paz devido à sua natureza particular, que evidentemente não é a de outros Estados”, disse Parolin, acrescentando que “Uma preocupação é que, em nível internacional, deve ser acima de tudo a ONU que gerencia essas situações de crise. Esse é um dos pontos em que insistimos”.
O Papa Leão 14, norte-americano e crítico de Trump, foi convidado a integrar o conselho no último mês de janeiro. De acordo com o plano de Donald Trump para Gaza, o conselho deveria supervisionar a governança temporária de Gaza. Trump afirmou, depois, que o conselho, presidido por ele, seria ampliado para lidar com conflitos globais. A iniciativa realizará sua primeira reunião em Washington (EUA) nesta quinta-feira, 19, para discutir a reconstrução de Gaza.
A Itália e a União Europeia afirmaram que seus representantes planejam participar do conselho somente como observadores, já que não aderiram à iniciativa.
Especialistas em direitos humanos pontuam que Trump comandar um conselho para supervisionar os assuntos de um território estrangeiro se assemelha a uma estrutura colonial. O conselho enfrentou críticas, ainda, por não incluir um palestino. Alguns dos aliados de Washington no Oriente Médio aderiram, mas seus aliados ocidentais se mantiveram afastados, por enquanto.
O ataque de Israel a Gaza matou mais de 72 mil pessoas, causou uma crise de fome e deslocou internamente toda a população da região.Especialistas em direitos humanos, acadêmicos e uma investigação da ONU afirmaram que o que houve no local equivale a genocídio. Já Israel interpreta suas ações como de autodefesa após o grupo terrorista Hamas matar 1200 pessoas e fazer 250 reféns, em 2023.