Polícia interrompe velório e leva corpo de jovem para necropsia
Procedimento obrigatório em morte por acidente não havia sido realizado; funerária alega falha de órgãos públicos
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Investigadores da Polícia Civil do Rio Grande do Sul interromperam o velório de um jovem na manhã desta quinta-feira (12), no município de Encantado, localizado na Região dos Vales. A cerimônia, que já estava em andamento, precisou ser pausada após a determinação de realização de necropsia no corpo de Jeferson Rodrigues Führ, de 20 ou 21 anos — há divergência na idade informada pelos veículos de imprensa.
O trabalhador morreu na última quarta-feira (10) após sofrer um choque elétrico enquanto realizava um serviço de manutenção em um prédio comercial no centro da cidade . De acordo com testemunhas, ele caiu de uma escada após a descarga elétrica e chegou a ser socorrido por populares que tentaram reanimá-lo até a chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Jeferson foi encaminhado com vida ao Hospital de Encantado, mas não resistiu à gravidade dos ferimentos.
A interrupção do velório ocorreu porque o corpo havia sido liberado pela funerária sem a realização da necropsia, procedimento obrigatório em casos de morte decorrente de acidente. Conforme explicou a delegada Dieli Caumo, óbitos causados por acidente precisam ser apurados formalmente para esclarecer as circunstâncias e verificar se há indícios de crime . "A gente sabe que é muito ruim o que a gente precisou fazer, mas as causas da morte precisam ser esclarecidas. Se teve algum crime, por exemplo", afirmou a delegada em entrevista.
O caso não havia sido registrado inicialmente na Polícia Civil, pois a ocorrência foi atendida apenas pela Brigada Militar, que encaminhou o jovem ao hospital . Ao tomar conhecimento do acidente na manhã de quinta-feira, a autoridade policial formalizou o registro e determinou o envio do corpo ao Departamento Médico-Legal (DML) de Lajeado para a realização do exame pericial . Após a conclusão da necropsia, o corpo será liberado novamente à família para a continuidade das cerimônias de despedida.
Por meio das redes sociais, a Funerária Arezi se manifestou após o caso ganhar repercussão na cidade. "Informamos que o ocorrido não teve qualquer envolvimento ou responsabilidade por parte de nossa equipe. Na situação em questão, o protocolo habitual foi prejudicado e interrompido em razão da falta de apoio que deveria ter sido repassado pelos órgãos públicos responsáveis pelo atendimento no local do fato, o que impactou diretamente na condução regular dos procedimentos", esclareceu a empresa . A funerária afirmou que sua prioridade sempre foi dar continuidade ao velório até a realização da cerimônia final, em respeito à família e aos presentes, e que os protocolos não estabelecidos pelos órgãos competentes seriam reavaliados conforme as orientações cabíveis .
O caso gerou comoção na comunidade de Encantado, que lamenta a morte precoce do jovem trabalhador, que deixou esposa e uma filha pequena . A Polícia Civil destacou que o protocolo segue normas legais e busca assegurar total transparência na apuração, ainda que a hipótese inicial seja de acidente de trabalho . A investigação agora aguarda o resultado do laudo técnico para concluir o inquérito.