Mercado penaliza Braskem com queda de 11% após suspeita de calote bilionário e decisão da Petrobras
Petroquímica é apontada como empresa que deixou de pagar R$ 3,6 bilhões ao Banco do Brasil; dívida foi regularizada em janeiro, mas estatal também abre mão de assumir controle da companhia
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O mercado financeiro deu um troco nesta quinta-feira (12) na Braskem (BRKM5). As ações da petroquímica despencaram mais de 11% — a maior queda do Ibovespa no dia — depois que duas notícias pesaram no humor dos investidores. A primeira: a empresa é apontada como a responsável por um "calote" de R$ 3,6 bilhões no Banco do Brasil, revelado no balanço do quarto trimestre do banco estatal. A segunda: a Petrobras comunicou que não vai exercer o direito de preferência para assumir o controle da companhia, deixando o caminho livre para um fundo de investimentos.
O tombo foi feio. Os papéis BRKM5 fecharam o pregão cotados a R$ 9,61, uma queda de 11,27%. O movimento interrompeu uma sequência de quatro altas consecutivas, que haviam acumulado ganho de 20% — sustentadas por expectativas de estímulos para o setor petroquímico.
Tudo começou com o balanço do Banco do Brasil. A instituição informou que a inadimplência da carteira de pessoas jurídicas atingiu 3,75%, fortemente impactada por um único caso: uma dívida de R$ 3,6 bilhões de uma empresa do segmento Atacado, na carteira de títulos e valores mobiliários. O banco não revelou o nome do devedor, mas a Folha de S.Paulo e o Broadcast apuraram: trata-se da Braskem.
Segundo as informações, o pagamento atrasou no fim de 2025, mas foi regularizado em janeiro deste ano. O vice-presidente de Controles Internos e Gestão de Riscos do BB, Felipe Prince, explicou que a dívida foi repassada a um fundo de "gestora de situações especiais" — um comprador de créditos com perfil de risco mais elevado.
O episódio acendeu um alerta que já estava aceso desde dezembro. A agência de classificação de risco Fitch havia rebaixado o rating da Braskem de 'CCC+' para 'CC', indicando que a inadimplência era uma possibilidade real. O foco, na época, era o pagamento de US$ 130 milhões em juros de títulos da dívida externa, com vencimento em janeiro . A Braskem tinha caixa — cerca de US$ 2,3 bilhões após sacar uma linha standby de US$ 1 bilhão — mas a desconfiança dos credores já rondava a petroquímica.
No mesmo dia, outra pá de cal. A Petrobras informou que não vai exercer o direito de preferência para comprar as ações da Braskem detidas pela Novonor (ex-Odebrecht), nem o chamado tag along — mecanismo que permitiria vender sua participação ao novo comprador.
A decisão, tomada na véspera pelo conselho de administração da estatal, era aguardada com apreensão. Embora a Petrobras seja sócia e principal fornecedora da Braskem — com contratos de R$ 90 bilhões renovados até 2036 —, a empresa deixou claro que não pretende aumentar sua participação nem assumir o comando do negócio.
Com isso, o caminho está livre para o Shine Fundo de Investimento, assessorado pela IG4 Capital, especializada em recuperação de empresas. O fundo negocia com a Novonor a aquisição do controle da Braskem, numa operação que envolve cerca de R$ 20 bilhões em dívidas dos bancos credores — Itaú, Bradesco, Santander, BB e BNDES —, que têm ações da petroquímica como garantia.
A Braskem enfrenta uma tempestade perfeita. O ciclo global da petroquímica está em baixa, com spreads apertados e demanda enfraquecida. No terceiro trimestre de 2025, a dívida bruta da empresa somava US$ 8,4 bilhões, e a alavancagem financeira atingiu 14,76 vezes o resultado operacional .
A empresa já contratou assessores financeiros e jurídicos — Lazard, Cleary Gottlieb e E. Munhoz Advogados — para avaliar alternativas de reestruturação. Mas, até que a IG4 assuma oficialmente o controle, previsto para o fim de fevereiro, a estratégia é evitar novos calotes e negociar com credores de forma amigável.