31 de julho de 2025
Investigação

CVM abre processo contra 33 executivos da Braskem por possível omissão sobre tragédia em Maceió

Investigação apura falhas na divulgação de dados sobre impactos da mineração que afundou bairros e desabrigou 60 mil pessoas; ex-presidentes estão entre os citados

Por Redação
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Segundo a CVM, a área afetada chegou a deixar cerca de 60 mil pessoas sem suas casas - Foto: Reprodução

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) instaurou, na última quarta-feira (4), um processo administrativo contra 33 executivos e ex-executivos da petroquímica Braskem. O foco da investigação é apurar se houve omissão ou falhas na divulgação obrigatória de informações ao mercado sobre os riscos e impactos financeiros da extração de sal-gema em Maceió (AL), atividade que causou o afundamento do solo e a remoção emergencial de milhares de moradores.

De acordo com a autarquia, a mineração subterrânea deixou um rastro de destruição que resultou em cerca de 60 mil pessoas desabrigadas. A CVM quer verificar se a empresa comunicou de forma tempestiva, precisa e completa aos investidores a real dimensão dos passivos ambientais, trabalhistas e indenizatórios gerados pela crise.

A lista de investigados inclui ex-presidentes da companhia, como Fernando Musa e Carlos Fadigas, além de executivos ligados às controladoras Novonor (ex-Odebrecht) e Petrobras. Também figuram no processo nomes como Marcelo Odebrecht, Newton Sérgio de Souza e Almir Barbassa, bem como gestores que ainda ocupam cargos na empresa.

O caso, que está na fase de citação dos acusados, teve suas apurações iniciadas pela CVM em 2023 e foi formalmente aberto em outubro de 2025. As acusações específicas ainda não foram divulgadas publicamente. A ação regulatória ocorre após a Braskem fechar, em novembro de 2025, um acordo de R$ 1,2 bilhão com o Governo de Alagoas para reparação de danos, com parcelamento em dez anos. A empresa ainda não se manifestou oficialmente sobre o novo processo movido pela CVM.