31 de julho de 2025
ECONOMIA

Petrobras abre mão do controle da Braskem e dá sinal verde para fundo assumir comando da petroquímica

Decisão foi tomada pelo conselho de administração na véspera e abre caminho para a transferência do controle da sexta maior petroquímica do mundo

Por Redação
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Petrobras abre mão de assumir controle da petroquímica Braskem - Foto: Arquivo/Agência Brasil

A Petrobras comunicou ao mercado na manhã desta quinta-feira (12) que não vai exercer o direito de preferência para assumir o controle integral da Braskem, a sexta maior petroquímica do mundo. A decisão, tomada na véspera pelo conselho de administração da estatal, abre caminho definitivo para que o fundo de investimentos Shine I, assessorado pela IG4 Capital, conclua a compra das ações da Novonor — a antiga Odebrecht — e se torne o novo controlador da companhia ao lado da própria Petrobras.

O imbróglio societário se arrasta desde 2018, quando a Novonor, então Odebrecht, colocou a Braskem à venda em meio aos desdobramentos da Operação Lava-Jato e à sua entrada em recuperação judicial, além da destruição dos bairros de Maceió, Alagoas, causados pela mineradora. Dona de 50,1% das ações com direito a voto e de 38,3% do capital total da petroquímica, a Novonor vinha tentando se desfazer do controle para equacionar suas dívidas. Do outro lado, a Petrobras detém 47% das ações ordinárias e 36,1% do capital total, posição que a torna sócia relevante, mas não controladora.

Em dezembro de 2025, a Novonor assinou um acordo de exclusividade com o Shine I Fundo, gerido pela Vórtx Capital e assessorado pela IG4. O fundo, especializado em aquisição de créditos em situações especiais, comprou cerca de R$ 20 bilhões em dívidas da Novonor que estavam garantidas por ações da Braskem junto a bancos como Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e BNDES. O acordo vinculante prevê que, ao final da operação, o fundo assessorado pela IG4 fique com 50,1% das ações votantes e 34,3% do capital total da Braskem, enquanto a Novonor manterá apenas 4% das ações, sem direito a governança.

Diante desse cenário, o acordo de acionistas da Braskem assegurava à Petrobras dois direitos estratégicos: o direito de preferência, que lhe permitiria comprar as ações da Novonor e assumir o controle integral da companhia, e o tag along, que lhe daria a opção de vender sua própria participação ao novo controlador nas mesmas condições. A estatal, no entanto, optou por abrir mão de ambos. Em comunicado oficial, a Petrobras informou que "não exercerá seus Direitos de Preferência e Tag Along previstos no atual Acordo de Acionistas da Braskem, considerando o atual estágio das negociações em curso" .

A decisão não significa, porém, um afastamento da Petrobras em relação à Braskem. Pelo contrário. Nos bastidores, estatal e IG4 já vinham negociando um novo modelo de governança compartilhada. De acordo com informações publicadas em janeiro, a Petrobras deverá ter metade das cadeiras do conselho de administração da Braskem, e o controle da empresa será exercido de forma alternada a cada dois anos entre as duas sócias. Quando a IG4 indicar o presidente executivo, a Petrobras indicará o presidente do conselho, e vice-versa. A diretoria executiva também será dividida, com quatro diretorias para cada lado — cabendo à estatal, muito provavelmente, as pastas de Engenharia e Operações .

Além de sócia, a Petrobras é a principal fornecedora da Braskem. Em dezembro, as duas empresas renovaram contratos de longo prazo que somam cerca de US$ 17,84 bilhões — algo em torno de R$ 90 bilhões na cotação atual. Os acordos envolvem nafta petroquímica, etano, propano, hidrogênio e propileno, com prazos que variam de 5 a 11 anos e abastecem as fábricas da Braskem em São Paulo, Bahia, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. A manutenção desses contratos era peça-chave para a viabilidade do negócio e para a própria sobrevivência financeira da petroquímica, que enfrenta uma crise internacional de mercado e elevada ociosidade em suas plantas .

A Braskem, vale lembrar, vive um momento delicado. A empresa acumula prejuízos, tem dívidas negociadas com ágio elevado no mercado secundário e perdeu o grau de investimento. A Fitch classificou seu risco de refinanciamento como "elevado" e rebaixou sua nota para CC no final do ano passado. A petroquímica prepara um plano de recuperação financeira para apresentar a credores até março de 2026, o que torna a injeção de novo fôlego trazida pela IG4 ainda mais urgente .

A operação, no entanto, ainda não está totalmente concluída. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) decidiu aprofundar a análise do negócio, saindo do rito sumário e exigindo uma compreensão mais detalhada dos aspectos societários e concorrenciais envolvidos. Isso significa que a aprovação final pode demorar mais do que o inicialmente previsto. Além disso, o negócio também depende de autorizações regulatórias no México, nos Estados Unidos e na União Europeia, onde a Braskem possui operações.

Criada em 2002 a partir da integração de seis empresas da Organização Odebrecht e do Grupo Mariani, a Braskem tem 8 mil funcionários, clientes em mais de 70 países e unidades industriais no Brasil, Estados Unidos, Alemanha e México. Agora, com a saída definitiva da Novonor do bloco de controle e a chegada de um fundo especializado em recuperação de empresas, a petroquímica inicia um novo capítulo de sua história — com a Petrobras ao lado, mas não no comando .

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