"Soco foi a causa da morte", diz advogado da família de adolescente morto por piloto no DF
Prontuário médico indica lesões compatíveis com agressão e nenhum ferimento no lado direito da cabeça, afirma defesa; jovem de 16 anos morreu após uma semana internado
Publicado em
A defesa da família de Rodrigo Castanheira, o adolescente de 16 anos que morreu após ser agredido em Vicente Pires (DF), afirmou que o soco desferido por Pedro Turra, de 19 anos, foi a causa direta da morte do jovem. A informação foi divulgada pelo advogado Albert Halex e contradiz versões anteriores que sugeriam que o impacto da cabeça contra um carro poderia ter sido o fator determinante.
Em publicação nas redes sociais, o advogado informou que a família teve acesso ao prontuário médico de Rodrigo e que os dados preliminares "indicam ausência de relação entre a causa do falecimento e o veículo mencionado". Segundo Halex, todos os traumas e cirurgias foram realizados no lado esquerdo do crânio — exatamente o local atingido pelo soco.
"Ressaltamos que o soco desferido pelo agressor apresentou impacto de altíssima intensidade, com força considerada descomunal", declarou o advogado ao Metrópoles. Ele reforçou ainda que não há qualquer lesão no lado direito da cabeça do adolescente, região que, segundo versões anteriores, teria atingido o carro durante a queda.
Rodrigo estava internado desde o dia 22 de janeiro no Hospital Brasília Águas Claras. No último sábado (7/2), a unidade de saúde confirmou a morte encefálica do paciente. O jovem não resistiu aos ferimentos e faleceu após uma semana de internação em estado grave.
A confusão começou na noite do dia 22 de janeiro, em Vicente Pires, região administrativa do Distrito Federal. Segundo a investigação, Pedro Turra jogou um chiclete mascado em um amigo de Rodrigo. O adolescente reagiu e disse que "não deixaria barato" se a situação tivesse ocorrido com ele.
A partir daí, os dois passaram a se agredir fisicamente. Vídeos gravados por testemunhas mostram o momento em que Turra desfere um soco de grande impacto no rosto de Rodrigo. O adolescente cai desacordado e bate a cabeça na lataria de um carro estacionado. Ele chegou a vomitar sangue enquanto era socorrido por populares.
O Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) solicitou uma nova ordem de prisão contra Pedro Turra. Em coletiva de imprensa, o delegado Pablo Aguiar, responsável pelo caso, afirmou que o investigado já teria se envolvido em outros episódios violentos, inclusive com relato de suposta tortura de uma adolescente com um taser. Emocionado, o delegado classificou o comportamento do piloto como "sociopata".
A defesa de Turra contestou as declarações. O advogado Enio Barros afirmou que "o delegado não tem competência para definir o comportamento psicológico de ninguém" e que a fala do agente "pode configurar abuso de autoridade".