31 de julho de 2025
POLÍCIA

Defesa de piloto que agrediu jovem no DF alega que ele "foi preso por ser branco e de classe média"

Advogado critica "espetacularização" do caso pela polícia, choro do delegado e pede revogação da prisão preventiva. Adolescente agredido segue intubado em estado grave

Por Redação
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O piloto Pedro Turra - Foto: Reprodução

O advogado Eder Fior, defensor do ex-piloto da Fórmula Delta Pedro Turra, de 19 anos, acusado de agredir gravemente um adolescente de 16 anos no Distrito Federal, afirmou em entrevista que seu cliente “foi preso por ser branco e de classe média”. A declaração foi dada ao Metrópoles após a decretação da prisão preventiva do jovem.

Fior argumenta que a medida é desproporcional, citando que tem clientes acusados de crimes mais graves que respondem em liberdade. “Então, Pedro está preso por ser um jovem, branco, posicionado na sociedade como de classe média, piloto de carro esportivo. Entendemos que a prisão é a medida mais extrema”, afirmou o defensor, que já entrou com pedido de revogação da prisão e um habeas corpus.

A defesa pede imparcialidade à Justiça do DF e sugere que medidas cautelares menos severas seriam adequadas, como tornozeleira eletrônica ou prisão domiciliar“O que acontece com essa prisão é que uma resposta social”, alegou Fior.

O advogado criticou duramente a condução do caso pela Polícia Civil do DF (PCDF), acusando-a de fazer uma “espetacularização”. Ele mencionou especificamente o momento em que o delegado Pablo Aguiar, da 38ª DP (Vicente Pires), chorou durante coletiva de imprensa na sexta-feira (30/1).

“Nós vimos autoridade chorando. Nós vimos autoridades que não têm qualificação profissional na área médica para chamar o meu cliente de sociopata. Nós vimos uma condenação antecipada com o inflamar da sociedade”, criticou Fior, alegando que a exposição midiática violou a decisão judicial que pedia discrição.

Fior argumentou que, mesmo em caso de condenação por lesão corporal grave – o atual enquadramento –, a pena não culminaria necessariamente em prisão inicial, tornando a prisão preventiva uma “pena antecipada”.

Com a repercussão, outras três ocorrências anteriores envolvendo Turra vieram à tona: uma agressão, uma briga de trânsito e uma acusação de coagir uma adolescente a beber. Sobre esses casos, o advogado afirmou que são fatos “relativamente distantes” (de 6 a 8 meses) e que as denúncias só surgiram agora, sendo usadas como fundamento para manter a prisão.

Na noite de 22 de janeiro, em Vicente Pires, Pedro Turra e um adolescente de 16 anos se envolveram em uma briga. Vídeos mostram agressões mútuas. Em um momento, Turra desfere um soco que faz o adolescente bater a cabeça com força em um carro. O jovem foi levado ao Hospital Brasília, onde permanece intubado em estado gravíssimo na UTI, após vomitar sangue. Seu quadro de saúde pode alterar a tipificação do crime. Em depoimento, Turra disse que “não queria machucar” e que tentava se defender, pedindo perdão à vítima e à família.

O caso segue sob investigação, e a defesa aguarda decisão sobre o pedido de liberdade de Pedro Turra.

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