31 de julho de 2025
BRASIL

Morte do cachorro comunitário Orelha comove Santa Catarina e gera revolta e clamor por justiça

Cão conhecido na Praia Brava, em Florianópolis, foi vítima de agressão fatal

Por Paula Tabosa
Publicado em
Morte do cachorro comunitário Orelha gerou comoção nacional - Foto: Reprodução

A morte brutal do cachorro comunitário conhecido como Orelha, de cerca de 10 anos, ultrapassou os limites da Praia Brava, no Norte de Florianópolis, e se transformou em um símbolo de indignação, dor e pedido coletivo por justiça em todo o país. O caso mobiliza moradores, organizações de proteção animal, personalidades públicas e autoridades, reacendendo o debate sobre violência contra animais e a necessidade de responsabilização exemplar.

Segundo relatos da comunidade, Orelha foi encontrado caído, gravemente ferido e agonizando, durante uma caminhada feita por uma das pessoas que cuidavam dele. O animal foi imediatamente socorrido e levado a uma clínica veterinária, mas os ferimentos eram tão severos que não houve alternativa além da eutanásia, para cessar o sofrimento.

Em entrevista emocionada, o empresário e morador da região, Silvio Gasperin, relatou o momento do resgate.
“Ela encontrou ele jogado, agonizando. Levou ao veterinário… isso não pode ficar assim. Precisa de justiça”, disse.

Orelha não era apenas um cachorro de rua. Ele fazia parte do cotidiano da Praia Brava. A comunidade mantinha três casinhas para cães considerados mascotes do bairro, e Orelha era um deles. Era alimentado diariamente, cuidado espontaneamente pelos moradores e convivendo de forma pacífica com pessoas e outros animais.

“Orelha tinha uma vida aqui. Todo mundo conhecia, todo mundo cuidava”, contou o aposentado Mário Rogério Prestes, responsável por alimentar os cães da região. Para muitos, ele representava a convivência harmoniosa entre comunidade e animais, um vínculo silencioso, mas profundo.

A Polícia Civil identificou ao menos quatro adolescentes suspeitos de envolvimento nas agressões que resultaram na morte do animal, após análise de câmeras de segurança e depoimentos. A investigação também apura uma denúncia de possível coação a testemunha, supostamente praticada pelo pai de um dos suspeitos, que seria policial civil. A delegada responsável pelo caso, Mardjoli Valcareggi, informou que todos os possíveis envolvidos já foram identificados e que as apurações seguem em andamento.

Desde a confirmação da morte de Orelha, a reação da sociedade tem sido imediata. Moradores, protetores independentes, ONGs e institutos ligados à causa animal realizaram manifestações públicas. Em dois protestos recentes, dezenas de pessoas caminharam pela Praia Brava vestindo camisetas, segurando cartazes com a frase “Justiça por Orelha”, acompanhadas de seus próprios cães, em um ato de dor, respeito e cobrança por respostas.

O caso também ganhou repercussão nacional. Artistas como Heloísa Périssé e Paula Burlamaqui usaram as redes sociais para lamentar a morte do animal e cobrar providências.
“Quem faz isso com um animal inocente tende a repetir esse tipo de violência. Não podemos fechar os olhos”, afirmou uma das atrizes.

O Ministério Público de Santa Catarina informou que acompanha a investigação por meio das Promotorias da Infância e Juventude e do Meio Ambiente. O governador do Estado, Jorginho Mello, também se manifestou, afirmando que as provas reunidas são fortes e causam repulsa.

Com a conclusão do inquérito, o caso será encaminhado ao Ministério Público para análise e adoção das medidas cabíveis, respeitando os trâmites previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), já que há suspeitos menores de idade.

A morte de Orelha não pode ser apenas mais um número nas estatísticas de violência contra animais. Ela expõe uma realidade dura, que exige investigação séria, transparência e responsabilização. Orelha não tinha voz, mas teve uma comunidade inteira que falou por ele, e continua falando.

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