Espanha se junta a países europeus e recusa convite de Trump para "Conselho da Paz"; Brasil ainda não respondeu
Primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, citou compromisso com direito internacional e ONU como motivo para recusa. Lançamento em Davos teve discurso crítico à ONU e plano de reconstrução de Gaza
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A Espanha recusou oficialmente o convite do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para integrar o "Conselho da Paz", uma estrutura criada pelo governo norte-americano para supervisionar a paz na Faixa de Gaza e coordenar a reconstrução do território palestino. O primeiro-ministro Pedro Sánchez justificou a decisão pelo "compromisso de Madri com o direito internacional, a ONU e o multilateralismo", engrossando a lista de países europeus que declinaram do convite.
Quem aceitou, recusou e quem ainda não respondeu
- Aceitaram: Países como Argentina, Arábia Saudita, Catar, Egito, Israel, Turquia, Hungria e Paquistão, entre outros.
- Recusaram: França, Noruega, Eslovênia, Suécia e agora a Espanha.
- Aguardam resposta: Brasil, Reino Unido, Alemanha, Itália, China, Rússia e Ucrânia, entre outros.
Lançamento em Davos
Trump lançou oficialmente o conselho nesta quinta-feira (22) durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, com um discurso que criticou a ONU — vista por analistas como alvo de esvaziamento com a nova estrutura. Ele afirmou que o conselho, do qual será presidente vitalício com poder de veto, terá aval "para fazer tudo o que quisermos" e começará seu trabalho por Gaza, que prometeu reconstruir com um plano chamado "Nova Gaza".
Cerca de 30 dos cerca de 60 líderes convidados compareceram ao evento, incluindo o presidente argentino Javier Milei. Nenhum grande aliado ocidental tradicional dos EUA esteve presente.
Funcionamento e polêmicas
O conselho foi previsto no acordo de paz mediado por Washington entre Israel e o Hamas, assinado em outubro de 2024. Segundo o projeto de estatuto, os membros terão mandatos de três anos, renováveis pelo presidente, mas países que contribuírem com mais de US$ 1 bilhão no primeiro ano garantirão assento permanente. A ausência da Autoridade Palestina no grupo também foi criticada por Sánchez e outros líderes.
A recusa da Espanha reforça a divisão na comunidade internacional em torno da iniciativa, vista por alguns como um projeto unilateral que busca contornar as estruturas multilaterais tradicionais.