Estudo revela tratamentos bizarros contra calvície na Renascença
Pesquisa analisou resíduos biológicos em livros médicos do século 16 e identificou práticas inusitadas usadas como supostos remédios
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Um estudo arqueológico e científico revelou que, durante a Renascença, práticas hoje consideradas bizarras eram usadas como tratamentos médicos, incluindo o uso de fezes humanas e dentes de hipopótamo para combater a calvície e aliviar dores de dente.
A descoberta foi feita a partir da análise de resíduos biológicos encontrados nas páginas de dois manuais médicos alemães publicados em 1531 pelo impressor Bartholomäus Vogtherr, na cidade de Augsburg. As obras eram destinadas ao uso doméstico e funcionavam como guias populares de saúde para pessoas sem formação médica.
Entre as receitas identificadas, uma das mais curiosas recomenda lavar diariamente a cabeça careca com fezes humanas como forma de estimular o crescimento do cabelo. Já para tratar dores de dente e problemas na cabeça, os pesquisadores encontraram vestígios de colágeno de hipopótamo em páginas específicas dos livros, indicando o uso do material como suposto remédio.
Na época, acreditava-se que partes do animal tinham propriedades medicinais. Registros históricos apontam que as cinzas da pele do hipopótamo eram usadas para estimular o crescimento capilar, enquanto sua gordura era considerada antitérmica. Os dentes do animal também chegaram a ser utilizados, mais tarde, na fabricação de dentaduras.
Além disso, a análise identificou resíduos de répteis, como lagartos ou tartarugas, associados a receitas para fortalecimento ou crescimento do cabelo, reforçando a crença de que óleos extraídos desses animais teriam efeitos terapêuticos.
O estudo foi liderado pelo professor Stefan Hanß, da Universidade de Manchester, e é o primeiro a aplicar a técnica da proteômica — análise de proteínas — em livros de receitas médicas da Renascença. Segundo os pesquisadores, o método permite reconstruir práticas do passado a partir dos vestígios deixados nas próprias páginas das obras.