EUA confirmam saída da OMS nesta quinta e deixam dívida de US$ 260 milhões
Decisão cumpre promessa de Donald Trump, ignora exigência legal de quitação de débitos e aprofunda crise financeira na agência da ONU
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Os Estados Unidos devem oficializar nesta quinta-feira (22) a retirada da Organização Mundial da Saúde (OMS), mesmo com uma dívida estimada em US$ 260 milhões em contribuições não pagas. A saída, confirmada por um porta-voz do Departamento de Estado à agência Reuters, cumpre uma promessa do presidente Donald Trump e acende um alerta sobre os impactos na governança da saúde global e no orçamento do principal órgão sanitário das Nações Unidas.
A decisão foi formalizada por meio de um decreto assinado em 20 de janeiro de 2025, logo no início do mandato de Trump. Pela legislação americana, o país só poderia deixar a OMS após um aviso prévio de um ano e mediante o pagamento integral das taxas pendentes — o que, segundo a própria organização, não ocorreu. Washington ainda estaria em débito com as contribuições referentes a 2024 e 2025.
Ao justificar a medida, o governo americano voltou a criticar a atuação da OMS. Em declaração à Reuters, um porta-voz afirmou que a entidade teria falhado em prevenir, gerenciar e compartilhar informações de saúde, gerando prejuízos que teriam custado “trilhões de dólares” aos Estados Unidos. Segundo ele, o presidente tem autoridade para suspender qualquer repasse futuro de recursos, incluindo as contribuições obrigatórias.
“O povo americano já pagou mais do que o suficiente”, disse.
A saída dos EUA — historicamente o maior financiador da OMS, responsável por cerca de 20% do orçamento da agência — já provocou efeitos concretos. A organização enfrenta uma grave crise financeira, com redução de atividades, cortes de programas e enxugamento da estrutura administrativa. A previsão é de que o quadro de funcionários seja reduzido em aproximadamente 20% até meados deste ano.
Ao longo dos últimos meses, líderes políticos e especialistas em saúde global tentaram reverter a decisão. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou recentemente que a retirada representa uma perda não apenas para a organização, mas também para os próprios Estados Unidos. A ausência americana deve ser tema central da próxima reunião do conselho executivo da OMS, marcada para fevereiro.
Especialistas alertam que o afastamento do país mais rico do mundo pode comprometer a capacidade global de resposta a emergências sanitárias. Para Kelly Henning, da Bloomberg Philanthropies, a decisão enfraquece sistemas e colaborações essenciais para detectar, prevenir e enfrentar novas ameaças à saúde pública em escala mundial.