31 de julho de 2025
MUNDO

Parlamento Europeu congela acordo comercial com EUA em resposta a ameaças de Trump sobre Groenlândia

Medida, aprovada por ampla maioria dos grupos políticos, suspende ratificação do pacto assinado em 2025; líder socialista fala em "pressão imperialista" e cita Mercosul como alternativa

Por Redação
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. - Foto: Reprodução

Em uma resposta firme às ameaças comerciais do presidente americano Donald Trump, o Parlamento Europeu decidiu congelar o processo de ratificação do acordo comercial entre a União Europeia e os Estados Unidos. A medida, reportada pela imprensa internacional e apoiada pelos principais grupos políticos da casa, é uma retaliação direta ao anúncio de Trump de impor tarifas punitivas a oito países europeus que se opõem à tentativa de anexação da Groenlândia.

A decisão conta com um "acordo maioritário" entre as bancadas, conforme afirmou Iratxe García Pérez, presidente do grupo S&D (Socialistas e Democratas), que inclui o Partido Socialista português. O PPE (Partido Popular Europeu), maior grupo de centro-direita e que abriga o PSD e o CDS-PP de Portugal, também confirmou o apoio ao congelamento.

García Pérez classificou as ameaças de Trump como "pressão imperialista" e defendeu uma postura forte. "Os últimos ataques de Trump exigem uma resposta firme e clara da Europa. Não podemos hesitar, porque Trump só entende a lei do mais forte", afirmou.

A líder socialista também indicou uma mudança na estratégia geoeconômica europeia, destacando a importância de reforçar parcerias com outras regiões. "É por isso que o Mercosul é agora mais importante do que nunca. O Mercosul é a melhor resposta à Doutrina Monroe de Trump, que defende uma América para os americanos", declarou, sinalizando uma possível aceleração nas tratativas com o bloco sul-americano.

No último sábado (17), Trump anunciou em sua rede social, Truth Social, a imposição de tarifas progressivas contra Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Holanda, Finlândia e Grã-Bretanha. A sobretaxa começaria em 10% a partir de 1º de fevereiro e subiria para 25% em 1º de junho, permanecendo até que os EUA concretizassem a "compra completa e total" da Groenlândia, território autônomo dinamarquês.

O acordo comercial EUA-UE, celebrado em julho de 2025 após uma reunião entre Trump e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, previa a redução das tarifas americanas de 30% para 15% sobre a maioria dos produtos europeus, além de abertura recíproca de mercados. Trump o chamou de "o maior de todos os tempos". Sua vigência estava prevista para entre março e abril de 2026, após ratificação parlamentar — processo agora suspenso indefinidamente.

A medida do Parlamento Europeu marca um ponto de inflexão nas relações transatlânticas, elevando a crise da Groenlândia a um patamar de guerra comercial latente e reposicionando a política comercial europeia em busca de maior autonomia e de parcerias alternativas.

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