31 de julho de 2025
geopolítica

Guerra tarifária de Trump contra Europa por Groenlândia pode abalar economia global, alertam analistas

O porta-voz da Comissão Europeia, Olof Gill, afirmou que o bloco está preparado para retaliar com um pacote de sanções comerciais de US$ 108 bilhões

Por Redação
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O porta-voz da Comissão Europeia, Olof Gill, afirmou que o bloco está preparado para retaliar com um pacote de sanções comerciais de US$ 108 bilhões - Foto: Reprodução/Redes sociais

A ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de desencadear uma nova guerra tarifária contra a Europa para forçar a anexação da Groenlândia, combinada com a resposta militar e comercial do bloco europeu, pode mergulhar o mundo em uma grave crise econômica e de segurança. Segundo projeções da consultoria Oxford Economics, se Trump impuser tarifas de 25% sobre produtos europeus e houver retaliação proporcional, o crescimento do PIB dos EUA e da Europa pode cair um ponto percentual, e a expansão da economia global recuaria de cerca de 2,9% para 2,6%.

O porta-voz da Comissão Europeia, Olof Gill, afirmou que o bloco está preparado para retaliar com um pacote de sanções comerciais de US$ 108 bilhões, além de acionar o Instrumento Anti-Coerção — mecanismo criado em 2023 que permite bloquear o acesso de produtos americanos ao mercado europeu e controlar exportações estratégicas para os EUA. A medida originalmente visava a China, mas agora seria direcionada a Washington.

A escalada teve início com o envio de tropas de Reino Unido, França, Alemanha, Noruega, Suécia, Finlândia e Holanda para a Groenlândia, como demonstração de força para dissuadir uma eventual invasão americana. Em resposta, Trump ameaçou impor tarifas escalonadas de 10% em fevereiro e 25% em junho a esses países. Em mensagem ao premiê norueguês Jonas Gahr Støre, Trump deixou claro que age também por ressentimento: "Considerando que seu país decidiu não me conceder o Prêmio Nobel da Paz, já não sinto a obrigação de pensar puramente na paz [...] agora posso pensar sobre o que é bom e apropriado para os EUA."

Analistas apontam que Trump busca inspiração no presidente William McKinley (1897-1901), que usou tarifas protecionistas e expansão territorial — como a anexação do Havaí e a conquista de Porto Rico, Guam e Filipinas — para transformar os EUA em potência global. Trump deseja um legado semelhante: ampliar o território e o poder americano combinando poder comercial e militar.

Do lado europeu, há convicção de que não se pode ceder, pois abriria um precedente perigoso para que China e Rússia também passem a usar a intimidação para alcançar objetivos geopolíticos. A crise também evidencia a desconfiança de Trump em relação à Otan, que ele acusa de permitir que europeus "terceirizem" sua defesa aos EUA, e seu menosprezo pela União Europeia, vista como adversária liberal e globalista.

Com ingredientes de ressentimento, nacionalismo agressivo, disputa por recursos estratégicos no Ártico e retaliação comercial pronta, a crise da Groenlândia tem potencial para se tornar um dos episódios mais instáveis e perigosos do cenário internacional atual, com repercussões profundas na economia e na segurança global.

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