31 de julho de 2025
DESISTIRAM

Após Captura de Maduro, EUA suavizam acusação de chefia de cartel de drogas

Departamento de Justiça reescreve denúncia e muda linguagem; Maduro agora é acusado de "perpetuar cultura de corrupção" ligada ao narcotráfico, não mais de liderar o "Cartel de Los Soles"

Por Redação
Publicado em
Desenho mostra Nicolás Maduro durante audiência na Justiça - Foto: REUTERS/Jane Rosenberg

Em uma revisão significativa da narrativa legal, o governo dos Estados Unidos, sob Donald Trump, recuou de acusações diretas de que o ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro liderava pessoalmente o Cartel de Los Soles. A mudança consta em uma versão reescrita da acusação do Departamento de Justiça, divulgada após a operação militar que capturou Maduro em Caracas no último sábado (3).

De acordo com análise do "The New York Times", o novo documento judicial altera substancialmente a linguagem usada desde 2020. Anteriormente, Maduro era descrito como o "chefe de uma organização terrorista narcotraficante". Agora, ele é acusado de "participar, proteger e perpetuar uma cultura de corrupção" na qual elites venezuelanas se enriquecem com o tráfico de drogas.

O próprio Cartel de Los Soles, designado como organização terrorista pelo Departamento de Estado em novembro, teve sua descrição atenuada. No novo texto, ele é mencionado apenas duas vezes e caracterizado não como uma estrutura hierárquica, mas como um "termo guarda-chuva" para o narcotráfico comandado pela elite civil e militar do país.

Especialistas consultados pelo jornal americano já questionavam a existência do cartel como uma organização centralizada, descrevendo-o mais como uma "rede de redes" ou uma "governança criminal híbrida" que beneficiava Maduro e seus aliados em troca de lealdade.

Apesar da mudança de tom, as acusações criminais contra Maduro nos EUA seguem graves. Ele responde formalmente a quatro crimes: conspiração para o narcoterrorismo, conspiração para o tráfico de cocaína, posse ilegal de armas de guerra e conspiração para posse dessas armas para uso no narcotráfico.

Em audiência em Nova York na segunda-feira, Maduro declarou-se inocente e se autodenominou um "prisioneiro de guerra"

Leia também