MP denuncia empresária e policial por tortura de doméstica grávida no Maranhão
ovem de 19 anos foi acusada de furtar um anel que acabou sendo encontrado na casa da patroa
O Ministério Público do Maranhão (MPMA) denunciou a empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos e o policial militar Michael Bruno Lopes Santos pelos crimes de tortura, tentativa de homicídio qualificado e tentativa de aborto contra a trabalhadora doméstica Samara Regina Dutra Soares, de 19 anos, que estava grávida de seis meses na época dos fatos.
A denúncia foi recebida pela Justiça na última quinta-feira (2). Os dois acusados permanecem presos preventivamente.
Segundo o Ministério Público, Samara havia sido contratada para prestar serviços domésticos temporários na residência da empresária, em Paço do Lumiar, na região metropolitana de São Luís. Em 17 de abril deste ano, ela foi acusada de furtar um anel avaliado em R$ 5 mil.
De acordo com a investigação, a jovem foi submetida a agressões físicas e psicológicas para confessar um crime que, posteriormente, ficou comprovado que não ocorreu. O anel foi encontrado em um cesto de roupas na própria residência da empresária.
A Promotoria afirma que o policial teria agredido a vítima com uma coronhada na testa, arrastado a jovem pelos cabelos e a mantido sob ameaça com uma arma de fogo. Ainda conforme a denúncia, os acusados chegaram a cogitar levá-la até um sítio para executá-la.
Mesmo após a localização da joia, as agressões teriam continuado. Segundo o Ministério Público, a empresária desferiu socos e tapas contra a trabalhadora enquanto o policial a imobilizava. Grávida de seis meses, Samara tentou proteger o bebê cobrindo o ventre durante as agressões.
As investigações são sustentadas por exames de corpo de delito, laudos periciais que apontaram perda auditiva na vítima, registros de acionamentos da Polícia Militar e áudios apreendidos pela Polícia Civil.
Em uma das gravações, atribuídas à empresária, ela afirma ter agredido a jovem. Em outro trecho, segundo o Ministério Público, diz que a vítima "não era nem para ter saído viva".
Na denúncia, a promotora responsável pelo caso pediu que os dois acusados sejam submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri, além da manutenção das prisões preventivas. O Ministério Público também se manifestou contra o pedido de sigilo apresentado pela defesa, alegando que o caso possui amplo interesse social e grande repercussão pública.