31 de julho de 2025
CAOS NA AMÉRICA LATINA

Traição e incompetência: os pilares do sucesso da invasão dos EUA à Venezuela, segundo analista militar

Professor da Escola de Comando do Exército Brasileiro aponta que Delcy Rodríguez negociou captura de Maduro, 90% das defesas antiaéreas foram destruídas e cúpula militar venezuelana estava despreparada

Por Redação
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Ataques foram precisos e debilitaram a reação venezuelana. - Foto: Reprodução

O sucesso da operação militar que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pode ser explicado por três fatores cruciais: traição interna na cúpula do regime, superioridade bélica absoluta dos EUA e incompetência das Forças Armadas venezuelanas. A análise é do professor de Ciências Militares da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército Brasileiro (Eceme), Sandro Teixeira, em entrevista ao UOL.

O especialista aponta que um núcleo de poder liderado pela então vice-presidente Delcy Rodríguez e seu irmão, Jorge Rodríguez, teria negociado secretamente a captura de Maduro, sentindo-se preteridos em relação a outras facções, como as do ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, e do poderoso Diosdado Cabello. A hipótese é reforçada pelas conversas públicas entre a Casa Branca e Delcy, que foi rapidamente reconhecida como presidente interina sem objeção americana.

Mesmo com a traição, os EUA não deixaram nada ao acaso. Teixeira estima que 90% do sistema de defesa antiaérea da Venezuela – incluindo radares, mísseis e canhões chineses e russos – foi destruído por um ataque massivo e preciso. A operação empregou mísseis Tomahawk, bombardeiros stealth B-2, caças de última geração (F-35, F-22) e aviões de guerra eletrônica, suprimindo qualquer possibilidade de reação organizada.

O terceiro pilar do êxito foi a degradação e incompetência da cúpula militar venezuelana. Segundo Teixeira, anos de promoções políticas aceleradas criaram um oficialato de "políticos fardados", mais preocupados com a repressão interna do que com a defesa externa. No momento do ataque, durante o recesso de fim de ano, muitos oficiais estavam de folga, deixando postos críticos sob comando de subordinados inexperientes – detalhe que os planejadores americanos teriam explorado.

A combinação fatal de conluio interno, supremacia tecnológica esmagadora e um exército despreparado explica, na visão do analista, a rapidez e o baixo custo em vidas (para os EUA) de uma das operações militares mais ousadas das últimas décadas.

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