31 de julho de 2025
SE RENDEU

Em primeiro discurso, presidente interina da Venezuela estende mão aos EUA e pede "relação respeitosa"

Após captura de Maduro, Delcy Rodríguez afirma que cooperação com Washington é "prioritária", mas exige não-interferência e soberania

Por Redação
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Vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, faz pronunciamento à imprensa em Caracas - Foto: Reprodução/Instagram

Em seu primeiro posicionamento oficial de peso após assumir a presidência interina da Venezuela, Delcy Rodríguez estendeu a mão aos Estados Unidos, mas com condições claras. Em uma mensagem divulgada nas redes sociais neste domingo (4), a sucessora de Nicolás Maduro – capturado por forças americanas – afirmou que considera "prioritário" avançar rumo a uma relação equilibrada e respeitosa com os EUA, baseada na soberania e na não-interferência.

"Acreditamos que a paz global se constrói garantindo, primeiro, a paz de cada nação", declarou Rodríguez, em um tom notavelmente conciliatório, porém firme. Ela expressou o desejo de trabalhar "junto" ao governo de Donald Trump em uma "agenda de cooperação, orientada para o desenvolvimento compartilhado, dentro da estrutura do direito internacional".

O discurso é um movimento diplomático cuidadoso. De um lado, busca abrir um canal de diálogo com Washington, cujo presidente já se referiu a ela como a líder em exercício. De outro, reafirma os princípios de soberania nacional e não-interferência, que soam como um recado direto contra qualquer tentativa de governança externa direta, como a sugerida por Trump ao afirmar que os EUA "irão governar" a Venezuela temporariamente.

Rodríguez também buscou legitimidade ao vincular sua posição à de Maduro, afirmando que a busca pela paz "sempre foi a posição do presidente Nicolás Maduro e é a de toda a Venezuela". A mensagem foi divulgada após ela receber o apoio público das Forças Armadas venezuelanas, um passo crucial para estabilizar seu governo interino.

O pronunciamento é um esforço para reposicionar a Venezuela no cenário internacional, de vítima de uma agressão militar para uma nação disposta ao diálogo, mas que não abrirá mão de sua autodeterminação. O sucesso dessa estratégia dependerá da resposta de Washington e da capacidade de Rodríguez em navegar entre a pressão externa, a lealdade das instituições internas e a profunda crise que assola o país.

Leia a íntegra da declaração (traduzida para o português):

"Mensagem da Venezuela ao mundo e aos Estados Unidos

A Venezuela reafirma seu compromisso com a paz e a coexistência pacífica. Nosso país aspira a viver sem ameaças externas, em um ambiente de respeito e cooperação internacional. Acreditamos que a paz global se constrói garantindo, primeiro, a paz de cada nação.

Consideramos prioritário avançar rumo a uma relação internacional equilibrada e respeitosa entre os Estados Unidos e a Venezuela, e entre a Venezuela e os países da região, baseada na igualdade soberana e na não interferência. Esses princípios norteiam nossa diplomacia com o resto do mundo.

Estendemos um convite ao governo dos EUA para trabalharmos juntos em uma agenda de cooperação, orientada para o desenvolvimento compartilhado, dentro da estrutura do direito internacional, e para fortalecer uma coexistência comunitária duradoura.

Presidente Donald Trump: nossos povos e nossa região merecem a paz e o diálogo, não a guerra. Essa sempre foi a posição do presidente Nicolás Maduro e é a de toda a Venezuela neste momento. Essa é a Venezuela em que acredito, à qual dediquei minha vida. Meu sonho é que a Venezuela seja uma grande potência onde todos os venezuelanos de bem estejam unidos.

A Venezuela tem direito à paz, ao desenvolvimento, à soberania e a um futuro.

Delcy Rodríguez, presidente interina da República Bolivariana da Venezuela"

Com informações da CNN Brasil

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