Maduro será apresentado à Justiça americana nesta segunda-feira (5)
Audiência em Nova York marcará formalização das acusações de narcoterrorismo, que preveem pena mínima de 20 anos
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O ex-presidente da Venezuela Nicolás Maduro será apresentado a um juiz federal em Nova York nesta segunda-feira (5), onde será formalmente notificado das acusações de narcoterrorismo e tráfico internacional de drogas apresentadas pela Justiça dos Estados Unidos. A audiência está marcada para as 12h (horário local), 14h em Brasília.
O anúncio foi feito pelo Tribunal Federal do Distrito Sul de Manhattan, responsável pelo caso. Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados em Caracas no sábado (3) durante uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos.

A acusação, que tramitava sob sigilo até ser tornada pública pela procuradora-geral americana Pam Bondi, prevê pena mínima de 20 anos de prisão, com possibilidade de prisão perpétua. O indiciamento foi formulado por um grande júri federal de Nova York.
Segundo a denúncia, Maduro teria liderado por mais de duas décadas uma estrutura criminosa instalada no alto escalão do Estado venezuelano, utilizando instituições públicas, forças de segurança, aeroportos, portos e canais diplomáticos para facilitar o envio de toneladas de cocaína aos Estados Unidos.
O ex-presidente venezuelano é apontado pelas autoridades americanas como chefe do "Cartel de los Soles", organização recentemente classificada pelos EUA como grupo terrorista internacional.
A captura ocorreu durante ataques militares dos EUA a diversas regiões da Venezuela, autorizados pelo presidente Donald Trump. Maduro tornara-se o principal alvo das ameaças de Trump nos últimos meses, com relações bilaterais deterioradas desde que o governo americano reconheceu Juan Guaidó como presidente interino em 2019.
Enquanto Maduro se prepara para enfrentar a Justiça americana, a Venezuela iniciou um período de transição de 90 dias sob a presidência interina de Delcy Rodríguez, reconhecida pelas Forças Armadas venezuelanas neste domingo (4).
O caso representa um episódio sem precedentes na história das relações internacionais das Américas, marcando a primeira vez que um chefe de Estado em exercício é capturado por uma potência estrangeira e levado a julgamento em outro país por acusações criminais.