Morre aos 96 anos a flautista Odette Dias, referência do choro no Brasil
Nascida na França, musicista ajudou a fundar o Clube do Choro de Brasília e formou gerações de instrumentistas
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A flautista francesa Odette Ernest Dias, uma das principais referências do choro no Brasil, morreu nesta quarta-feira (24/12), aos 96 anos, no Rio de Janeiro. Radicada no país desde a juventude, a musicista construiu uma trajetória marcante na música brasileira, tanto como intérprete quanto como educadora.
Odette chegou ao Brasil aos 23 anos para integrar a Orquestra Sinfônica Brasileira. Duas décadas depois, mudou-se para Brasília, onde passou a lecionar flauta na Universidade de Brasília (UnB). Foi na capital federal que encontros musicais promovidos por ela em casa deram origem ao Clube do Choro, hoje reconhecido como patrimônio imaterial do Distrito Federal.
Em entrevista à Agência Brasil, o filho da artista, o violonista Jaime Ernst Dias, destacou o legado deixado pela mãe. “Ela teve uma carreira longeva e atuou como professora até os 90 anos, formando muitas gerações de músicos”, afirmou. Odette teve seis filhos, cinco deles músicos.
Nos palcos, a flautista realizou parcerias importantes, como com a pianista Elza Kazuko Gushiken, e consolidou a carreira como solista. Também gravou o disco Paisagem Noturna ao lado do filho.
Em nota, o Ministério da Cultura lamentou a morte da musicista e ressaltou sua contribuição para a consolidação do Clube do Choro de Brasília como espaço de referência cultural. A pasta destacou ainda o papel de Odette como educadora, unindo excelência técnica e generosidade no ensino.
O diretor do Clube do Choro, Henrique Neto, também ressaltou a influência da flautista. Segundo ele, mesmo em homenagens recentes, como a realizada em 2021, Odette fazia questão de tocar. “Ela era uma apaixonada pelo choro e estava sempre com a flauta em mãos”, lembrou.