31 de julho de 2025
CONFIRA

Do “Jaspion” ao “Piroca”: Censo revela os nomes e sobrenomes mais inusitados do Brasil

A nova plataforma “Nomes no Brasil”, lançada junto ao levantamento, permite pesquisar qualquer nome ou sobrenome registrado no país

Por Vinícius Rocha
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Censo revela os nomes e sobrenomes mais inusitados do Brasil - Foto: Reprodução

Dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta terça-feira (4) mostram o contraste entre a tradição e a criatividade dos brasileiros na hora de registrar seus filhos. Segundo o Censo Demográfico 2022, os nomes Maria e José seguem como os mais comuns do país — mas a lista também guarda surpresas dignas de curiosidade.

A nova plataforma “Nomes no Brasil”, lançada junto ao levantamento, permite pesquisar qualquer nome ou sobrenome registrado no país. E é ali que aparecem raridades: 31 pessoas têm o sobrenome “Bosta”, enquanto 152 carregam oficialmente o sobrenome “Piroca” — sendo 82 em Santa Catarina e 55 no Rio Grande do Sul.

Outros registros também chamam atenção: 925 brasileiros possuem o sobrenome “Caralho”, possivelmente fruto de erros de grafia em cartórios antigos. A maior concentração está em Niterói (RJ), onde representam 0,004% da população.

Personagens da cultura pop também inspiram nomes


O levantamento mostra que o imaginário popular também marca presença nas certidões de nascimento. O sucesso televisivo dos anos 1990 gerou 53 brasileiros com o nome “Jaspion”, referência ao herói japonês. A mediana de idade é de 32 anos, o que confirma o auge da popularidade do personagem na época.

O nome “Batman” aparece como sobrenome de 32 brasileiros, sendo 20 deles em São Paulo. Já “Vandame”, possivelmente inspirado no ator Jean-Claude Van Damme, é encontrado em 48 pessoas, com idade mediana de 25 anos.

De Britney a Neymar: a influência das celebridades


A música também deixou marcas nos registros civis. O Censo de 2022 identificou 308 pessoas chamadas Britney, nome que teve pico entre 2000 e 2009, quando Britney Spears dominava as paradas. Já 36 pessoas se chamam Madonna (com dois “n”) e 99 “Madona” (com um só), todas em São Paulo.

O nome da cantora Gretchen também aparece com destaque: 192 registros no país, principalmente entre as décadas de 1970 e 1980.

Entre os ídolos do futebol, Neymar foi registrado 2.443 vezes em 2022, e Mbappé já inspira novas gerações: 138 pessoas têm o nome “Kylian Mbappé” completo, enquanto Kilian e Killian somam mais de 400 registros, a maioria entre crianças nascidas de 2010 a 2019.

O que diz a lei sobre nomes considerados constrangedores


A Lei de Registros Públicos, criada em 1973 e atualizada em 2022, determina que o oficial do cartório não pode registrar nomes que exponham seus portadores ao ridículo. Caso os pais insistam, o registrador deve comunicar o caso a um juiz, que decide sobre a permissão.

Mesmo assim, o banco de dados do IBGE mostra que a criatividade — e às vezes o descuido — continuam marcando a identidade civil de muitos brasileiros.